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Ver artigo principal: Argumento cosmológico Kalam

Esta é a página contendo as objeções ao argumento cosmológico Kalam.

Justificativa Edit

1º premissa Edit

A primeira premissa talvez seja a mais atacada dentre as duas. Várias propostas tem sido levantadas, destancando-se a da física quântica. Todavia, a maioria delas enquadra-se no 'esquecimento' de que o princípio enunciado na primeira premissa não é apenas uma lei natural, mas um princípio metafísico inquebrável.

Física quântica Edit

Ateus afirmam que a afirmação "todas as coisas que começam a existir tem uma causa" é falsa. Embora este seja um princípio não apenas científico, mas principalmente metafísico, a afirmação se dá baseada na idéia de que a lei de causa e efeito "possivelmente só existe acima do nível quântico".[1] De fato, estudos empíricos na física quântica mostraram objetos que começaram a existir aparentemente sem uma causa, "como que do nada", o que sugere que o princípio está errado. Por fim, sugere-se que há a possibilidade de que, assim como há essa "exceção" da lei de causa e efeito no nível quântico, o Universo também não tenha necessitado de uma causa.

A utilização de física quântica como refutação a este argumento é inválida por dois motivos, dos quais um pode ser dividido em dois pontos, ainda contendo uma crítica satírica. O problema em questão é a incapacidade da ciência em relação ao seu desenvolvimento atual.

A inexistência de causa como consequência de uma ciência ainda em desenvolvimento

A física quântica é, em relação a outros ramos da física, nova e possui a peculiaridade de tratar com questões invisíveis a olho nu e de difícil 'acesso' e pesquisa. Mais do que isso, é um ramo pouco trabalhado e pesquisado (novamente em relação a outros). É de se esperar, portanto, como natural consequência disso, que aceitemos a física quântica como uma "ciência difícil", propícia a muitos erros, e que ainda está num estado relativamente precoce de estudos (tendo em vista a sua dificuldade).

Por outro lado, a metafísica é muito mais correta e, aliado aos princípios lógicos relacionados à incapacidade de o nada fazer algo surgir, é digna de muito maior aceitação do que a física quântica - sobretudo quando o tema é justamente de origem metafísica, relacionada à ciência.

Dessa forma, enquanto a física quântica, no tema apresentado, nada mais é do que uma corda bamba carente de mais estudos, a metafísica mostra-se como uma rocha bem solidificada capaz de vencer qualquer pesquisa empírica já realizada até agora no assunto em questão. Como consequência disso, fundamentar-se sobre a física quântica enquanto abandona-se o princípio metafísico de que "do nada, nada vem" torna-se uma atitude irracional, mais bem explicada pela tentativa de alguém (um ateu, no caso) desesperadamente encontrar um meio de fugir do argumento do que realmente uma resposta solidificada e irrefutável. Dessa forma, a f.q. pode até ser mencionada, mas jamais terá poder para invalidar o argumento Kalam, senão lançar-lhe suspeitas. Pelo contrário, é mais sensato que esperemos a ciência se desenvolver e, quem sabe, daqui há uns 300 anos, possamos considerar este contra-argumento como sendo válido.

A inexistência de causa como incapacidade da ciência (argumento da razão)

A premissa de que "todas as coisas que começam a existir tem uma causa" não restringe, de maneira alguma, a natureza desta causa. Em outras palavras, a causa não precisa ser natural para algum evento natural, mas pode ser sobrenatural (no caso, o próprio Kalam faz a inferência de uma causa sobrenatural para o Universo natural - embora, neste caso, o argumento necessita de uma causa sobrenatural) ou simplesmente de uma natureza diferente. Todavia, a ciência só é capaz de validar o natural, não tendo meios de aceitar ou negar o sobrenatural. Em outras palavras, é possível que a causa dos eventos quânticos não esteja sendo identificada não porque não existam, mas simplesmente porque são de uma natureza diferente daquela que denominamos Natural e, portanto, incapaz de ser identificada pela ciência. Todavia, fica evidente que, não é porque não é captada pela ciência que não exista!

De fato, este ponto é tratado por C. S. Lewis em seu livro Milagres quando expõe o argumento da razão. Neste argumento, Lewis afirma que, sendo o Naturalismo uma filosofia que expõe a idéia de que "a Natureza é o tudo" e que todas as coisas que acontecem na Natureza são resultado de outros acontecimentos da própria natureza, então as descobertas no ramo da física quântica são justamnte uma evidência da existência do sobrenatural, já que tratam-se de eventos cujas causas não são parte do todo. Em outras palavras, se um ateu (e a maioria dos ateus são naturalistas) utilizar a física quântica como argumento contra a existência de Deus, i.e. como refutação ao Kalam, estará ele mesmo propondo uma evidência para a existência do sobrenatural que ele condena. Vale lembrar, todavia, que Lewis não mencionou isso como uma real evidência para o seu argumento, ele mesmo afirmando que não concordava muito com isso (provavelmente por causa do princípio metafísico debatido).

Da união da perspectiva de Lewis e do princípio metafísico de que "nada sai do nada", conclui-se justamente que a apresentação da f.q. como um contra-argumento ao princípio metafísico é falha e, na verdade, somente evidencia a incapacidade da ciência ou (a ser indicado aos ateus mais ferrenhos em se prender nesta 'descoberta' científica) a existência do sobrenatural como a causa destes eventos aos quais a f.q. não atribui causa.

Por fim, mais uma vez, se a ciência é incapaz de nos dar uma causa visível para os eventos quânticos, a metafísica garante que eles existem.

Nem todos concordam

Segundo um paper de Quentin Smith, nem todos os físicos concordam que estes eventos são incausados. Logo, apoiar-se sobre tal alegação é apoiar-se sobre algo que ainda está em discussão e, associado à questão da força metafísica apresentada nos dois pontos anteriores, mais uma vez constata-se que tomar este partido da metafísica consiste na atitude de alguém que quer refutar o argumento em tom de desespero ao invés de concisa e logicamente.

Sátira

O uso da física quântica por parte de ateus gera uma discussão satírica. Relacionado ao primeiro ponto abordado (de que a f.q. é novata para providenciar uma resposta forte contra o argumento Kalam), tiramos a conclusão de que devemos crer que "o desenvolvimento da ciência, no futuro, irá suplantar a hipótese destes eventos quânticos serem incausados". No entanto, este tipo de argumentação é justamente aquele utiliazdo por ateus para refutar o argumento do Deus das lacunas, quando os ateus afirmam que, no futuro, a ciência, já mais desenvolvida, [provavelmente] irá responder às questões que atualmente ela é incapaz de resolver, e que, portanto, não temos razão suficiente para crer, na atualidade, que tais eventos sejam causados por seres sobrenaturais como Deus. A questão satírica, então, é: por que não usar o mesmo princípio de "profecia científica]" para o caso da física quântica em relação às causas? A pergunta torna-se mais intrigante no momento em que se considera que, embora os atues utilizem este 'princípio' de futuro desenvolvimento da ciência para negar a inferência da existência de Deus na atualidade, eles se "esquecem" de considerar o mesmo 'princípio' quando se trata de apontar alguma afirmação que seja contrária a existência de Deus.

Conjunto e partes Edit

Outra afirmação acerca da 1º premissa está em afirmar que a lei de causa e efeito é algo que funciona perfeitamente dentro do Universo, i.e. nas suas partes, mas afirmar que o Universo (i.e. o conjunto das partes) também está sob esta lei é uma falácia, já que é inválido assumir que o todo tem a mesma natureza de suas partes.

Todavia, este argumento é falso porque a afirmação da 1º premissa, embora tenha confirmação fortíssima no dia-a-dia através das leis da Natureza, é por essência um princípio metafísico e que, portanto, relacionado-se a todas as coisas, não à partes de algo (como, no caso, a lei de causa e efeito) independente de serem parte deste Universo ou de outro (muitos supõe que o próprio Deus, embora seja completamente diferente de todo o Universo, esteja preso à leis da lógica e metafísica).

2º premissa Edit

Outras objeções Edit

Embora as grandes críticas sejam dirigidas às premissas, algumas das objeções ao argumento Kalam são feitas contra a estrutura do argumento ou o seu "modo errado" de observar os fatos, como no que diz respeito ao "tempo antes do Big Bang".

O argumento para o ateísmo Edit

O filósofo ateu Quentin Smith, sendo um dos filósofos que mais trabalhou em cima deste argumento, apresentou uma objeção ao mesmo propondo que, embora a estrutura do argumento seja válida, uma consideração mais apropriada da cosmologia do Big Bang acaba por direcionar o argumento não para a existência de Deus, mas em favor do ateísmo.

Existência de lógica Edit

O Funador propôs a objeção de que o argumento consiste numa falácia lógica begging the question.

Segundo ele, a proposição "todas as coisas que começam a existir" reside em pensamentos que só fazem sentido na presença do próprio Universo e/ou na presença de uma Mente Racional. Todavia, não há a menor garantia de que tais princípios fossem válidos "antes" do Big Bang. Logo, não há como inferir se o Universo precisou nascer segundo leis e princípios que só sabemos de ter existido após o Big Bang. Todavia, haveria a possibilidade de tudo estar correto se houvesse uma Mente que existisse antes do Universo. Só que isso quebra o argumento e o torna falacioso, pois ele só teria validade, então, na presença já determinada de Deus, o que o torna numa falácia.

Notas Edit

Referências Edit

Argumentos para o Teísmo

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