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Objeção não teísta: Ouça as evidências, não a igreja

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Alguns criticam pessoas religiosas em relação às suas crenças e à confiança depositada por estas na Igreja, suas doutrinas e dogmas, afirmando que estas deveriam ouvir as evidências, e não confiar [cegamente] nas suas igrejas e na tradição das mesmas. Por exemplo ao analisar uma das defesas suplementares da historicidade da ressurreição de Jesus, o argumento da morte por uma mentira, o escritor Bob Seidensticker observou que as evidências em favor da alegação de que os 12 apóstolos de Jesus foram, na sua maioria, martirizados era bastante fraca, o que aparentemente não é a visão da Igreja que prega o mártir dos apóstolos como algo certo. Criticando o posicionamento dos cristãos (talvez especialmente os apologistas populares que usam-se do argumento), Seidensticker afirmou:[1]

Vamos pausar por um momento para saborear esta lição. "Tradição afirma que" ou "A Igreja nos diz que" nunca é suficiente — certifique-se de olhar por detrás da cortina e ver que evidência realmente suporta uma alegação histórica.

Avaliação Edit

Na medida em que esta objeção encoraja pessoas religiosas a não depositarem uma fé cega e irrestrita nas autoridades eclesiásticas, talvez sobretudo daqueles cuja instrução teológica é questionável, mas a certificarem-se dos fundamentos da fé que professam, pode-se enteder que esta é uma objeção positiva, embora não exatamente boa. No final ela falha em pelo menos duas coisas: primeiro, dependendo de como ela é afirmanda, em equacionar a tradição da igreja e as convicções das suas autoridades eclesiásticas com perspectivas e conclusões não baseadas (ou mal baseadas) em evidências, o que não passa de uma falsa dicotomia; e em segundo, em ignorar que, na maior parte das vezes, o religioso não possui acesso direto às evidências em questão (ou não tem tempo para realizar a tarefa, ou não tem o devido preparo para fazê-la com qualidade) precisando depositar as suas convicções na base de uma autoridade, situação na qual o que se teria não é "evidência vs. igreja", mas "igreja vs. alguém".

No primeiro erro, há uma falsa dicotomia porque é perfeitamente possível (dependendo do caso até provável) que a opinião eclesiástica seja justamente baseado no estudo de evidências, podendo ainda ser estudos melhor desenvolvidos do que aquele apresentado por seus críticos e ainda melhor do que aquele que o povo religioso comum seria capaz de fazer. Nesse caso, apresentar a situação como uma escolha que o religioso deveria fazer, "ou evidências, ou a tradição", é puramente falacioso.

Já o segundo erro se manifesta em casos como o de Seidensticker, onde apresenta-se o que seria "o que as evidências realmente dizem" em contradição com aquilo que a igreja diz, mas ignora-se que do ponto de vista do leitor que não terá acesso real às informações relevantes, o que ele terá que fazer é crer numa ou noutra fonte de informação. Para o leitor de Seidensticker e sua crítica à tradição do martírio dos 12 apóstolos, a decisão será quanto a acreditar nele e no seu estudo, cuja credibilidade é totalmente dúbia devido ao seu desinteresse natural pelo assunto, ou acreditar na igreja e os seus dois mil anos de pesquisa e ensino sob a perspectiva de alguém realmente interessado naquilo que é para si de alta relevância.

Referências

  1. Seidensticker, Bob (8 de agosto de 2012). Who Would Die for a Lie? (1 of 2) (em inglês). Patheos. Página visitada em 28 de fevereiro de 2015.


Objeções comuns contra ateísmo e teísmo

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