FANDOM


Mais sobre este artigo:
Filme logo1 Vídeos selecionados

Uma crítica contra a confiabilidade dos Evangelhos consiste na alegação de que a tradição oral, através da qual os eventos da vida de Jesus foram passados até serem escritos nos Evangelhos, funcionou como um telefone sem fio e, portanto, não são confiáveis.

Avaliação Edit

A analogia é inapropriada, pois mesmo pressupondo a visão defendida pela maioria dos historiadores contemporâneos, há significativas diferenças entre o jogo de telefone sem-fio e o modo pelo qual a tradição sobre a vida de Jesus foi provavelmente guardada até chegar a uma fonte escrita, havendo bons motivos para crermos que a tradição oral sobre Jesus não foi passada de forma tão displiscente como a analogia propõe.[1]

Todavia, há bons argumentos defendidos por alguns historiadores e pesquisadores como William Lane Craig[2] que apontam haver bons motivos para negarmos a visão tradicional de que os evangelhos não foram escritos pelos autores tradicionais, mas constituem obras anônimas que consideraram várias gerações de passagem de informação. Estes argumentos apontam, por exemplo, que:

  • O testemunho global da igreja primitiva (muito mais próxima dos originais do que os historiadores atuais) defende a autoria tradicional dos evangelhos.

Todavia, mesmo defendendo que os evangelhos não foram escritos por testemunhas oculares ou por pessoas diretamente relacionadas a elas, há bons motivos para negar-se a analogia. Segue uma tabela comparativa das semelhanças e diferenças entre o jogo telefone sem-fio e as características das transmissões das mensagens da vida e ensinamentos de Jesus (Nota: no caso das semelhanças, considera-se a opinião majoritária dos historiadores e, em colchetes, as considerações não-tradicionais):

Telefone sem-fio Situação real
Semelhanças
1 Mensagem sempre transmitida oralmente. Mensagem [provavelmente] sempre transmitida oralmente.
2 Presença de um ou mais intermediadores entre o originador da mensagem e o finalizador (i.e. mensagem transmitida por várias pessoas). [Provável] Presença de um ou mais intermediadores entre as testemunhas oculares e o escritor (i.e. mensagem [supostamente] transmitida por várias pessoas).
Diferenças
1 Mensagem passada com voz baixa e pouco clara (susurros).[1] Mensagem tanto passada em voz baixa (situação de perseguição) quanto em alto e bom som (e.g. momentos públicos de evangelização).
2 Mensagem passada apenas uma vez para e por cada indivíduo.[1] Mensagem eventualmente passada mais de uma vez para e por cada indivíduo (e.g. Paulo e Silas pregando juntos, não evangelistas pregando sempre separadamente).
3 Mensagem passada por um indivíduo.[1] Mensagem passada e repassada por mais de um indivíduo.
4 Mensagem vinda de uma única fonte. Mensagem vinda de várias fontes (i.e. mais de uma testemunha ocular).
5 Mensagem não pode ser corrigida por terceiros (não estou ouvindo). Mensagem podem ser corrigidas por terceiros caso tenham sido passadas de forma errada.[3]
6 Conteúdo brincalhão (errar chega a ser desejável para a brincadeira ter graça; o jogo começa com a predisposição de errar).[1] Conteúdo sagrado (cria-se que era não só a revelação última de Deus, como uma questão de inferno vs. céu).
7 Participantes não dão muita atenção ao evento e seu dado (este não lhes é importante; é apenas uma brincadeira passageira). Participantes dão muita atenção ao evento e seus dados (criam que sua salvação estava em jogo; era-lhes uma história sagrada).[3]
8 Apenas uma fonte de passagem de informação (a passada na brincadeira). Várias fontes além da evangelização (tradições, músicas).[4]
9 Sem tempo para memorização da mensagem (passado de forma rápida). Com tempo para memorização ou, senão isso, para que a informação se estabeleça fielmente numa comunidade e num indivíduo.[3]
10 Originadores da informação inacessível para reverificação (o que cria a mensagem inicial só a pronuncia uma vez até ao fim). Originadores presentes até bom tempo depois para correção de eventuais erros (os apóstolos viveram tempo significativo, alguns passando pelo tempo nos quais os evangelhos foram escritos).
11 Sem distinção entre "importância" de informação. Todo o conteúdo é passado de forma simplista. Conteúdo principal (os credos) passados sob forma de tradição.[4]
12 Presença de vários intermediaristas entre o originador e o finalizador. Presença de poucos intermediaristas entre o originador e o finalizador.

Conclusão Edit

A analogia presente na objeção é ruim e não possui motivos bons para ser tida como o modelo do que aconteceu quando a mensagem de Jesus e relacionados foram passados entre os discípulos atém serem fixados em algum escrito (como os evangelhos). Analogias mais realistas e, portanto, preferíveis são as que tratam a transmissão da mensagem de forma a considerar a situação presente na época e os prováveis meios pelos quais a mensagem era passada, tal como a analogia do karatê.[1]

Referências

  1. 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 New Evidences the Gospels were Based on Eyewitness Accounts (em inglês). Estrelando Peter Williams. Publicado no YouTube por rfvidz em 07/04/2011. Visualizado em 9 de abril de 2011. Duração: 1:02:15.
  2. Livro "Reasonable Faith".
  3. 3.0 3.1 3.2 The issue of oral tradition. (em inglês). Estrelando Darrell Bock. Publicado no YouTube por ehrmanproject em 20/08/2010. Visualizado em 21 de abril de 2011. Duração: 5:33.
  4. 4.0 4.1 With no scripture in place, what controlled doctrine in the 1st century? (em inglês). Estrelando Darrel Bock. Publicado no YouTube por ehrmanproject em 20/08/2010. Visualizado em 19 de abril de 2011. Duração: 5:56.


Objeções comuns contra ateísmo e teísmo

Ad blocker interference detected!


Wikia is a free-to-use site that makes money from advertising. We have a modified experience for viewers using ad blockers

Wikia is not accessible if you’ve made further modifications. Remove the custom ad blocker rule(s) and the page will load as expected.