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Objeção não teísta: A ciência tem explicado sem invocar Deus

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Uma objeção ao teísmo de cunho científico afirma que a ciência têm explicado sem precisar invocar Deus ou qualquer outra entidade sobrenatural. Em alguns casos, críticos têm apontado para alguma parte específica dos trabalhos científicos quando levantando esta objeção. Por exemplo, o biólogo P. Z. Meyers, em seu debate com Kirk Durston sobre a existência de Deus, afirmou que "todo fenômeno biológico que nós examinamos em detalhes suficientes foi encontrado como explicável por causas puramente naturais".[1]

De certa forma, esta objeção se relaciona com o argumento da falta de evidências uma vez que, como parte da negação da existência destas em favor do teísmo, é comum que se exponha não apenas hipóteses naturalistas alternativas, como a própria afirmação desta objeção.[nota 1]

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Esta objeção é ruim por alguns motivos.

Primeiramente, se colocado como uma razão para se rejeitar a existência de Deus (como feito por P. Z. Meyers em seu debate com Kirk Durston), ela parece assumir que se Deus falha como uma hipótese invocável à ciência (i.e. se a ciência consegue ou mesmo apenas têm conseguido explicar fenômenos naturais sem precisar invocar Deus como hipótese), então ou 1) Deus não existe ou 2) ninguém está em posição de afirmar que Ele existe. Todavia, críticos consideram essa noção errada. Como o filósofo Alvin Plantinga nota,[fonte?] para o teísta Deus não é primariamente uma hipótese científica,[nota 2] mas algo em cuja existência ele crê com base em sua experiência pessoal do testemunho do Espírito Santo. Dado que tal, sugere Plantinga, faria da crença em Deus uma crença propriamente básica, o estado de Deus como hipótese seria irrelevante para o teísta; ele poderia continuar crendo na existência de Deus (e estaria racionalmente justificado em fazê-lo) mesmo que a "hipótese teísta" falhasse nas ciências naturais.

Por outro lado, talvez a objeção seria eficaz como um ataque à questão de jure se o cientificismo fosse verdadeiro, i.e., se a única maneira de se poder professar razoavelmente o conhecimento da veracidade de uma proposição fosse por meio da pesquisa científica e essa têm falhado em "achar Deus", então uma pessoa não estaria justificado razoavelmente em crer que Deus existe. O problema, neste caso, é que o cientificismo falha como epistemologia já tendo sido inclusive rejeitado pela maior parte dos filósofos atuais.[2]

A objeção também é falha por ao menos outras duas razões. Num primeiro caso, ela não considera a distinção entre primeira e segunda causa: geralmente quando Deus ou outro agente espiritual é tido como a causa de alguma coisa não miraculosa, é entendido que ele seria uma segunda causa agindo por trás de uma primeira. Por exmeplo, afirmar que uma pessoa está doente por influência demoníaca não significa que não há nenhuma bactéria ou vírus envolvido, agentes que seriam as causas primárias da doença, mas que por trás da presença de tais agentes é que haveria o ser maligno agindo (e.g. tendo sido aquele que colocou os agentes lá). Além disso, o fato de um fenômeno ou coisa natural ter sido explicado por causas naturais não é sinônimo de ter sido corretamente explicado: é perfeitamente possível que, dadas as evidências disponíveis, cientistas consigam chegar a uma hipótese naturalista aparentemente boa para explicar um evento (sentido, então, tida como correta) quando o desconhecimento de outra evidências ainda não descobertas seria o suficiente para invalidar aquela explicação podendo, nisso, favorecer uma explicação sobrenaturalista. No mesmo nível encontra-se o problema de metodologia científica, particularmente a presença do naturalismo metodológico nos procedimentos científicos, que deliberadamente força os pesquisadores a eliminar hipóteses sobrenaturalistas antes mesmo de considerá-las para o estudo. Diante de algo como o naturalismo metodológico, não é de se surpreender que todos os fenômenos biológicos referidos por P. Z. Meyers tenham sido explicados por hipóteses naturalistas.

Notas

  1. Veja o segundo debate entre William Lane Craig e Peter Atkins.
  2. Ainda que possa funcionar como tal, como fez Swinburne em seu livro The Existence of God

Referências

  1. Debate entre Kirk Durston (afirmativa) e P. Z. Myers (negativa): "Does God Exist?", ocorrido em The University of Alberta, 26 de janeiro de 2009.. Disponível aqui.
  2. Palestra "The Evidence for Christianity" por William L. Craig. Austrália


Objeções comuns contra ateísmo e teísmo

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