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Argumento do mal

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Nota: Se você está procurando pelo argumento ateísta baseado na existência do mal, procure por problema do mal.
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Genericamente um argumento do mal é qualquer argumento que utiliza-se da existência do mal para sustentar a sua conclusão. No contexto da filosofia da religião, todavia, este nome é mais utilizado para tratar especificamente daqueles argumentos do mal usados a favor do teísmo enquanto o nome "problema do mal" é mais utilizado para aqueles à favor do não teísmo. Neste artigo e ao longo desta wiki esse segundo significado tenderá a ser utilizado.

Apresentação Edit

Um dos argumentos mais bem-sucedidos para o ateísmo, em termos de formação de adeptos, é o problema do mal, que tenta demonstrar a existência de uma suposta incompatibilidade entre o mal e a existência de Deus, seja numa forma dedutiva - onde a existência dos dois é tida como logicamente incompatível - ou numa forma indutiva, probabilística - onde defende-se que a coexistência de ambos é improvável.

Alguns filósofos teístas, todavia, vêem argumentando não só que a existência do mal e a de Deus não são logicamente ou probabilisticamente compatíveis, mas ainda que a existência do primeiro só é possível caso o segundo exista, ou seja, o mal é evidência para Deus.

Tais argumentos geralmente fundamentam-se nas relações existentes entre o mal e a existência de valores morais objetivos, e destes com Deus. Alega-se que, não existindo Deus, os valores morais não são objetivos, mas subjetivos, i.e. dependem exclusivamente do ponto de vista individual, mas não trascendem de forma objetiva a toda a humanidade. Nisso, diz-se que se os valores morais não são objetivos, então as coisas não são realmente boas ou más, mas tudo depende do ponto de vista de um indivíduo. Similarmente argumenta-se que, se as coisas não são realmente boas ou más (i.e. se os valores morais são subjetivos), então não há mal no mundo; as coisas ditas más não são realmente más e ninguém estaria errado em dizer que algo tradicionalmente tido como mal é, na verdade, bom. Dessa forma, duas alegações são defendidas:

  1. Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem. (Se Deus existe, valores morais objetivos existem.)
  2. Se valores morais objetivos não existem, o mal não existe. (Se valores morais objetivos existem, o mal pode existir.)
    1. Se o mal existe, valores morais objetivos existem.

De acordo com os defensores desse argumento, se nós aceitamos estas relações entre moralidade, o mal e Deus, e adicionamos o consenso geral de que o mal existe, então conclui-se dedutivamente que Deus existe, i.e. o mal não é evidência contra Deus, mas para Deus.

Segue algumas maneiras de se colocar este argumento:

  1. Se o mal existe, valores morais objetivos existem.
  2. Se valores morais objetivos existem, Deus existe.
  3. O mal existe.
  4. Logo, Deus existe. (de 3 por 1 em 2)
O filósofo cristão William Lane Craig defende a seguinte estrutura:[1]
  1. Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem.
  2. O mal existe.
  3. Logo, valores morais objetivos existem.
  4. Logo, Deus existe.

Uma outra versão do argumento foi elaborada por Martin Bittencourt. Segundo o Cristianismo, o projeto do ser humano na Terrra não é viver uma vida tão feliz quanto possível, mas atingir o conhecimento da existência de Deus e viver desfrutando de uma comunhão íntima com Ele.[2] Analisa-se, todavia, que a existência do mal é justamente uma das armas mais eficazes em levar pessoas a Cristo, pois muitos se rendem a Deus no seu último suspiro tendo nEle suas últimas esperanças e, em fazendo isso, Deus se revela a eles, levando-os à salvação. De fato, analisando-se países onde há um maior mal em termos de perseguição ao Cristianismo como a China e comparando-os com países onde a vida é mais fácil, como o Brasil, claramente se observa que o mal daquelas nações levanta pessoas mais próximas a Deus do que os países onde a vida é mais fácil; quando um ser humano vive uma vida secularmente feliz, as evidências demonstram que é mais provável que ele vai fazer pouco ou nenhum caso da existência de Deus (pois, para ele, ele tem "tudo o que precisa para viver feliz") do que vai, por isso, se juntar a Ele. Se Deus permitisse que a vida humana fosse cheias de prazeres com quase nenhum ou nenhum mal, é muitíssimo provável que poucas pessoas seriam crentes do que numa situação inversa. A perspectiva mundialmente difundida de que o objetivo da vida é ser feliz, além de parecer uma pressuposição naturalista, acabaria por levar a humanidade a afastar-se de Deus se a suas vidas fossem realmente feliz do que o contrário.

Desta forma, longe do mal ser algo ruim, é completamente bom e, portanto, um Deus que é benevolente iria justamente assegurar que o mal existisse no mundo enquanto nem todos fossem salvos; "Longe de o mal ser algo como um inimigo de Deus, o mal é um de seus melhores amigos.". Já para os casos em que o mal chega a um ponto de não converter alguém, mas matá-lo, Martin considera suficiente a resposta de que, nestes casos, entende-se a morte não como algo ruim, mas como bom, pois ou significa a justiça para os perversos ou a consumação da fé na salvação dos santos. Este argumento, portanto, não só demonstra ser o mal evidência da existência de Deus como também serve como solução para o problema do mal, demonstrando que a perspectiva cristã torna a existência de Deus e o mal perfeitamente compatíveis. Este argumento pode ser esquematizado da seguinte maneira:

  1. Se Deus existe, então Ele é onipotente, onisciente e omnibenevolente.
  2. Um ser omnibenevolente iria desejar o melhor para as vidas que criou (e.g. seres humanos), bem como saberia o que é melhor para as vidas que criou e também teria o poder para fazê-lo.
  3. O melhor que uma vida pode ter é cumprir o seu propósito de existência.
  4. O propósito da vida é atingir o conhecimento de Deus (pressuposição cristã).
  5. O atingir o conhecimento de Deus é a melhor coisa que pode ocorrer a uma vida:
    1. Ao fazer isso, cumpre-se o propósito de existência da vida (3).
    2. Não há nada melhor do que estar com Deus, valendo inclusive passar por tribulações para chegar-se a isso - i.e., se algo ruim tem de acontecer para que a salvação aconteça, então valeu a pena.
  6. Logo, se Deus existe, Ele irá garantir a existência de métodos eficazes que levem as pessoas à chegar ao propósito de sua existência, i.e. levar pessoas ao conhecimento de Deus.
  7. O mal é uma das ferramentas mais eficazes para levar pessoas ao conhecimento de Deus.
  8. Logo, se Deus existe, Ele irá permitir que o mal exista no mundo. [nota: uma vez o pecado instaurado]
Logo, o mal não é compatível com Deus.
  1. Se Deus existe e o pecado existe, então esperaríamos ver o mal no mundo (do argumento acima).
  2. Logo, a existência do mal não só é compatível com a existência de Deus, como também seria evidência da sua existência caso o pecado também exista no mundo.
  3. O pecado existe no mundo.
  4. O mal existe no mundo.
  5. Logo, Deus existe [nota: conclusão indutiva].

Avaliação Edit

Tendo em vista que aparentemente ninguém defende que o mal não existe, a crítica sobre o argumento recai sobre as duas primeiras premissas.

Alguns filósofos ateus como Michael Martin[3] argumentaram contra a primeira premissa, alegando que a existência de valores morais objetivos é possível sem a existência de Deus. Tais críticas são analisadas nos artigos referentes ao argumento de valores morais objetivos.

Veja tambémEdit

Referências

  1. The Ontological Argument and Objective Morality (em inglês). Estrelando William Lane Craig. Publicado no YouTube por drcraigvideos em 27 de julho de 2010. Visualizado em 17 de maio de 2015. Duração: 6:00.
  2. Does evil show that there is no God? (em inglês). Estrelando William Lane Craig, et. al.. Publicado no YouTube por semperadlucem em 28 de maio de 2009. Visualizado em 28 de novembro de 2010.
  3. Craig, William Lane. Ensaios Apologéticos: Um Estudo para uma Cosmovisão Cristã. [S.l.: s.n.]. ISBN 0830827358.


Argumentos para o Teísmo

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