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O argumento do DNA (ou argumento do ADN, em português) é um argumento indutivo que visa demonstrar que o DNA humano provavelmente foi criado por um ser sobrenatural (i.e. Deus), daí testificando a existência deste Ser. É o argumento favorito de Perry Marshall (sobre quem este artigo esta escrito) e o principal de todos os argumentos da informação.

Formulação e apresentaçãoEdit

A forma mais simples do argumento contem apenas duas premissas e uma conclusão:

  1. A sequência de pares de bases no DNA é um código.
  2. Todos os códigos que nós conhecemos a origem vêm de uma mente.
  3. Logo, o DNA veio de uma mente.[1]

Apresentação detalhada Edit

O argumento é primeiramente apresentado após uma pequena introdução sobre o DNA/ADN e eventos na Natureza.

A maioria dos argumentos sobre evolução e design inteligente oferecem apenas evidências anedóticas e são inerentemente incapazes de, na realidade, provar qualquer coisa. Nós precisamos adquirir evidências melhores para chegarmos ao fundo disso! Felizmente, a ciência das comunicações modernas facilmente nos providencia as ferramentas que precisamos para conseguir respostas. Apesar de os detalhes serem complexos, os conceitos são facilmente pegos por qualquer pessoa com uma educação superior.

Padrões ocorrem naturalmente - sem ajuda requerida de um 'desenhista'. Muitos padrões ocorrem na natureza sem a ajuda de um desenhista - flocos de neve, tornados, furacões, dunas de areia, estalactites, ondas dos rios e oceanos. Estes padrões são os resultados naturais do que os cientistas categorizam como caos e fractais. Estas coisas são bem compreendidas e nós as experienciamos todos os dias.

Códigos, todavia, não ocorrem sem um desenhista. Exemplos de códigos simbólicos incluem músicas, blueprints, línguas como o inglês e o chinês, programas de computador, e sim, DNA. A distinção essencial é a diferença entre um padrão e um código. Caos pode produzir padrões, mas nunca foi mostrado que produz códigos ou símbolos. Códigos e símbolos guardam informação, o que não é uma propriedade da matéria ou energia sozinhos. A própria informação é uma entidade separada à par com a matéria e a energia.
[2]

Segue daí a formulação do argumento por Marshall:


  1. DNA não é meramente uma molécula com um padrão; é um código, uma língua, e um mecanismo de guardar informações.
  2. Todos os códigos cuja origem nós conhecemos são criados por uma mente consciente.
  3. Logo, o DNA foi desenhado por uma mente, e a língua e a informação são provas da ação de uma Superinteligência.[2]


Daí, Marshall afirma que podemos explorar cinco possíveis conclusões (no caso, hipóteses de desenhistas):


  1. Seres humanos desenharam o DNA.
  2. Alienígenas (extra-terrestres) desenharam o DNA.
  3. O DNA ocorreu randomicamente e expontaneamente.
  4. Deve haver alguma forma de lei da física não-descoberta que cria informação.
  5. O DNA foi desenhado por uma Superinteligência, i.e. Deus.[2]


Uma vez que estas possibilidades são mencionadas, Marshall atesta a veracidade da quinta hipótese através das seguintes afirmações:

(1) requere viagem no tempo ou infinitas gerações de humanos. (2) poderia ser verdadeiro mas apenas coloca a questão mais atrás. (3) pode ser uma possibilidade remota, mas não é uma explicação científica já que não se refere a um processo sistemático e repetível. Não é nada mais do que um apelo à sorte. (4) poderia ser verdade mas ninguém pode formular uma hipótese testável até alguém observar um código que ocorre naturalmente. Assim, a única explicação sistemática que fica é (5), uma teológica.
[2]

Por fim, conclui: "Na medida em que o raciocínio científica não pode provar nada, o DNA é prova de um desenhista."[2]

Contra-apologética Edit

De acordo com Marshall[1], até o presente momento pode-se selecionar três mais comuns objeções ao argumento apresentado por ateus (uma defesa maior do argumento segue logo abaixo).

Primeira premissa - DNA é um código

Grande parte do esforço tem sido de descreditar esta premissa. Todavia, ela é totalmente e explicitamente suportada em virtualmente toda a literatura científica desde a década de 60.[1]

Segunda premissa - Os códigos que conhecemos vieram de uma mente

Tal como no caso da primeira premissa, houve uma significativa tentativa de descreditar esta premissa, afirmando-se que gravidade, flocos de neve, fluxos de magma e similares são códigos. Todavia, nenhum está exatamente conforme o modelo de comunicação de Shannon. A maioria dos exemplos citados não contem um systema de codificação, e nenhum contém um sistema de decodificação.

Conclusão - O DNA veio de uma mente

A objeção mais significativa à conclusão é a de que se trata de um argumento indutivo (o que é verdade - veia comentários abaixo). Todavia, além da simples argumentação, contra-apologistas afirmaram que o pensamento indutivo é intrinsecamente não-confiável. Todavia, tal afirmação é anti-científica, uma vez que as leis da termodinâmica e a maioria das leis científicas conhecidas são determinadas indutivelmente e não dedutivamente. Desta forma, se algum indivíduo deseja descartar o pensamento indutivo, então teríamos de descartar quase todo o conhecimento científico que dispomos e, nas palavras de Marshall, "começar tudo de novo e usar pedras e galhos para fazer fogo".[1]

Em um debate num fórum do site ateu Infidels, o argumento de Marshall foi exposto e, após mais de 4 meses de discussão em mais de 300 posts, a maior parte dos participantes saiu do debate tendo sido incapazes de invalidar o argumento ou de apresentar alguma objeção válida que já não tivesse sido apresentada.[1] Dentre os contra-argumentos apresentados, houve seis que se destacaram por terem sido aqueles que mais foram apresentados e defendidos.

Segue a lista das seis mais comuns objeções apresentadas no debate,[1] bem como algumas outras objeções levantadas.

DNA não é um código Edit

Segundo alguns, o DNA não é um código.

Todavia, ele o é, por definição universal[1] e mesmo ateus como o biólogo evolucionista Richard Dawkins concordam com isso.[3]

Informação não é real Edit

Segundo alguns, informação não é real.

Na realidade, a informação é real, uma vez que produz efeitos reais.[1]

Informação não tem significado objetivo Edit

De acordo com alguns, informação não tem um significado objetivo.

Segundo Marshall, informação tem significado objetivo uma vez que uma mensagem produz resultados que são tão objetivos e específicos quanto a própria mensagem.[1]

Processos aleatórios podem criar informação Edit

Esta objeção foi levantada por alguns, afirmando que os processos aleatórios tais quais os vistos na seleção natural são capazes de criar informação.

Eles não podem.[1]

Códigos ocorrem naturalmente Edit

Segundo alguns, códigos ocorrem naturalmente.

Eles não ocorrem naturalmente.[1]

Deus, deuses e a natureza do designer Edit

Segundo alguns, a natureza do Designer não pode ser determinada. Desta forma, o argumento comporta-se mais como uma evidência para a existência de mentes superiores sobrenaturais, mas não se enquadra necessariamente como uma evidência de Deus somente: um grupo de deuses (politeísmo) podem ter sido os responsáveis pelo projeto do DNA.

Segundo Marshall, todavia, em termos muito gerais, a natureza do Designer pode ser determinada.[1]

Má-compreensão sobre os processos evolutivos Edit

Marshall pode ter compreendido erroneamente o processo de 'chance' dentro das mutações.

Falácia ad ignorantium Edit

Se o argumento for tido como um argumento dedutivo, então consiste numa falácia do tipo argumentum ad ignorantium. Como Miguel Guerreiro apresenta:

Isto não é propriamente um bom argumento, porque na realidade é uma falácia. Trata-se de um apelo a ignorância, lá porque todos os códigos que conhecemos são "desenhados" não quer dizer que todos os códigos são desenhados. (...)
[4]

Distinção entre prova e evidência Edit

Veja também: Prova e Evidência

Embora Marshall classifique seu argumento como uma prova à favor de uma Superinteligência [teísta], o argumento, até mesmo pela sua natureza indutiva, é mais corretamente classificado como evidência do que como prova.

Hipótese não-científica Edit

Enquanto Marshall tenta descartar as hipóteses 3 e 4 como sendo não científicas, a própria hipótese de um designer sobrenatural (nas suas palavras, uma 'explicação teológica') também não é científica, uma vez que muitos concordam que o mundo sobrenatural foge do escopo da ciência. Nisso, Marshall acabou por cometer o erro que o movimento do Design Inteligente cuidadosamente procura não cometer a fim de que a hipótese de design possa ser aceita como sendo científica. Dessa forma, embora o argumento de Marshall possa ser tido como um argumento indutivo válido, é difícil considerá-lo um bom argumento cientificamente válido.

Referências

  1. 1.00 1.01 1.02 1.03 1.04 1.05 1.06 1.07 1.08 1.09 1.10 1.11 Marshall, Perry. The Atheist's Riddle: 30+ Skeptics Attempt To Solve It (em inglês). CosmicFingerprints.com. Página visitada em 1 de maio de 2010.
  2. 2.0 2.1 2.2 2.3 2.4 Marshall, Perry. If You Can Read This, I Can Show You that God Exist (em inglês). CosmicFingerprints.com. Página visitada em 1 de maio de 2010.
  3. Positive Atheism's Big List of Citaçãos (em inglês). Positive Atheism. Página visitada em 24 de junho de 2010. "What has happened is that genetics has become a branch of information technology. It is pure information. It's digital information. It's precisely the kind of information that can be translated digit for digit, byte for byte, into any other kind of information and then translated back again. This is a major revolution. I suppose it's probably "the" major revolution in the whole history of our understanding of ourselves. It's something would have boggled the mind of Darwin, and Darwin would have loved it, I'm absolutely sure." - Artigo sobre citações de Richard Dawkins
  4. Perry Marshall, o profeta do desenho inteligente (em inglês). Página visitada em 29 de janeiro de 2010.

Leitura extra Edit

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