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John Shook é um filósofo PhD[1] que defende o pragmatismo e escreve extensivamente sobre naturalismo[1], tendo formulado um argumento em defesa desta posição[2] que pode ser chamado de argumento fundamental para o naturalismo (do inglês fundamental argument for naturalism).[3]

Apresentação e defesa Edit

O argumento de Shook basicamente alega que o naturalismo é a posição default com relação a existência de Deus e que só devemos sair dela caso encontremos motivos (as "pontes" até o sobrenaturalismo). Como, de acordo com Shook, tais "pontes" não foram apropriadamente defendidas por nenhum teísta, um indivíduo deve optar por permanecer no naturalismo já que esta é a posição mais segura.[2] Desta forma, o argumento de Shook mais se relaciona com a questão de se devemos crer ou não em Deus do que se Ele existe de fato. Esquematicamente, da maneira como foi apresentado no debate de Shook com o filósofo cristão William Lane Craig, ele pode ser resumido da seguinte maneira:

  1. Todos os seres humanos acreditam na natureza.
  2. Logo, a posição default é uma posição naturalista.
  3. Um indivíduo só deve avançar para o sobrenaturalismo caso sejam apresentados motivos que evidenciam que o sobrenaturalismo é verdadeiro, i.e. que Deus e o mundo sobrenatural existem.
  4. Nenhum teísta foi capaz de mostrar "pontes" confiáveis que defendam de forma suficiente a existência do mundo sobrenatural, i.e. ninguém jamais foi capaz de demonstrar que o sobrenaturalismo é verdadeiro.
  5. Logo, um indivíduo não deve avançar para o sobrenaturalismo, mas pelo contrário deve permanecer um naturalista já que esta é a posição mais segura na ausência de evidências do sobrenatural.

Shook, todavia, prefere a seguinte exposição, mais resumida:[3]

  1. A Natureza existe
  2. Nenhum argumento jamais foi produzido que razoavelmente defendesse o sobrenaturalismo
  3. Apenas a natureza existe

Desta forma, observa-se que o argumento de Shook é fundamentado em basicamente três pilares: 1) o naturalismo é a posição default e só devemos sair dele caso encontremos motivos - uma forma de presunção do ateísmo; 2) os argumentos para a existência de Deus são falhos; e 3) na ausência de argumentos para a existência de Deus, o naturalismo é a posição filosófica mais segura.

Avaliação Edit

O argumento para o naturalismo de Shook, todavia, é ignorado pela comunidade teísta em geral através de críticas relacionadas aos três pilares mencionadas acima. Além disso, tem-se o argumento como uma falácia non sequitur, i.e. mesmo que as premissas fossem verdadeiras, a conclusão não segue logicamente delas.[2][3]

As premissas Edit

Com relação à primeira premissa, baseada em muito na chamada presunção do ateísmo, argumenta-se que ela não é necessariamente verdadeira e constitui uma falácia de petição de princípio, pois só alguém que já é um não-teísta poderia denfedê-la.

Se entende-se por "naturalismo" a posição filósofica de que "somente o natural existe e nada mais" (i.e. nenhuma outra dimensão), então dizer que todos nascemos naturalistas significa que todos nós "nascemos acreditando que o mundo sobrenatural não existe" (ou "nascemos acreditando que somente o mundo natural existe), o que é notoriamente falso para todos aqueles que defendem que o agnosticismo é a posição filosófica default concernente à crença na existência de Deus - i.e., nascemos sem saber se Deus existe ou não. Como tal posição só é defendida por ateus que defendem a presunção ateísta, o argumento entra numa falácia de petição de princípio.

O segundo pilar, que alega que os argumentos para a existência de Deus são falhos, é evidentemente negado pelos teístas que defendem justamente que tais argumentos são verdadeiros, i.e. que existem evidências da existência de Deus. À semelhança do argumento da ocultação divina, esta premissa requere a demonstração de que todos os argumentos para a existência de Deus sejam falhos a fim de que seja racionalmente defendida, o que Shook aparentemente em nenhum momento foi capaz de fazer (e nenhum outro ateu). Logo, há bons motivos para negar esta segunda premissa.

Por fim, argumentar que o naturalismo é posição filosófica mais segura se demonstrado que nenhum dos argumentos teístas é verdadeiro é uma alegação notoriamente falsa, pois essa premissa poderia ser sustentada como motivo para que alguém não acreditasse em Deus, não segue dela a conclusão de que alegar que "somente o natural existe" é a posição mais racional.

A conclusão Edit

Em corroboração à conclusão, cita-se o filósofo ateu Kai Nielsen que comentou:

Demonstrar que um argumento é inválido ou vazio [unsound] não é demonstrar que a conclusão do argumento é falsa. ... Todas as provas ad existência de Deus podem falhar, mas ainda assim pode ser o caso que Deus existe. Resumindo, demonstrar que as provas não funcionam não é suficiente por conta própria. Ainda pode ser o caso de que Deus existe.[4]

Veja tambémEdit

Referências

  1. 1.0 1.1 John Robert Shook (em inglês). Página visitada em 1 de julho de 2010.
  2. 2.0 2.1 2.2 Is Nature all There is?: Craig vs Shook (em inglês). Estrelando William Lane Craig e John Shook. Debate entre William Lane Craig e John Shook (link). Publicado no YouTube por drcraigvideos em 24 de dezembro de 2008. Visualizado em 4 de outubro de 2010.
  3. 3.0 3.1 3.2 nanderson. John Shook on his debate with WLC and the presumption of atheism (em inglês). Reasonable Faith Forum. Página visitada em 1 de julho de 2010.
  4. Kai Nielsen, Reason and Practice (New York: Harper & Row, 1971), pp. 143-4. Citado aqui.



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