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Argumento de Harris

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-Nota: Este argumento deve ser revisto em face do Argumento contra a benevolência do Deus cristão.

O argumento de Harris é um argumento contra a existência de Deus baseado nas atitudes imorais perpetradas por Ele e registradas na Bíblia, em especial no Antigo Testamento.[1] O argumento também é defendido por Christopher Hitchens.[fonte?]

Um dos seus defensores atuais é o novo-ateu Sam Harris.[1]

Avaliação Edit

O argumento é inválido por uma série de motivos:

  • Julgamentos morais contemporâneos: O argumento (de certa forma) pressupõe a validade dos julgamentos morais do ponto de vista do público atual - Harris diz de forma clara que as ações supostamente imorais são vistas como imorais "de acordo com o que a sociedade contemporânea pensa". Isso, todavia, trás dois problemas:
    • Ponto de vista moral irrelevante: Alegar que as ações supostamente comandadas por Deus são imorais de acordo com o nosso ponto de vista atual é ineficaz, pois tal ponto de vista moral é, neste caso, irrelavante. O que o argumento deve levar em consideração (e não o faz) é se o que Deus efetuou tera sido imoral aos Seus olhos, não aos nossos.
  • Julgamentos morais subjetivos: Como no ateísmo a moralidade é subjetiva, a alegação ateísta de que os atos mandados por Deus eram ruins ou imorais não tem valor; é apenas sua opinião e, logo, a premissa não é verdadeira, mas comete a falácia de premissa subjetiva.
  • Razão incorreta: Como Deus é totalmente moralmente perfeito e, portanto, justo e nós somos demonstravelmente moralmente corruptos e injustos, é visivelmente mais racional crer que Deus fez a coisa certa e nós, que não o compreendemos, estarmos observando de forma errada, do que alegar, como que em sinal de superioridade ou igualdade á Deus, que nós estamos certos em nossos julgamentos morais e que, se o argumento é válido no resto, Deus não existe - observando-se o que está escrito sobre "julgamentos morais no ateísmo".
  • O argumento é auto-destrutivo: O argumento, para ser aceito, precisa pressupor inerrância bíblica (isso se deve porque precisa haver a garantia de que as passagens em questão são verdadeiras - não se esquecendo que elas possuem conteúdo teológico e não simplesmente histórico). Só que esta só tem valor com a existência de Deus, que é negado na conclusão. Logo, se a premissa é verdadeira, a conclusão necessariamente é falsa (i.e. Deus existe), mas se a conclusão é verdadeira, então a premissa é inválida (i.e. a Bíblia não é inerrante) e o argumento desmorona.
  • Má teologia: O argumento pressupõe mal entendimento sobre a natureza e relevância de Deus por alguns motivos:
    • Ausência de obrigações morais: Deus não tem obrigações morais que não aquelas que veem naturalmente de sua onibelevolência. Todavia, não ficou demonstrado que a onibevenolência divina não permite que Deus faça as ações pelas quais está sendo "condenado".
    • Posição de autor da vida: Deus, se existe, é o autor e, por isso, dono da vida, estando a Ele naturalmente garantido o poder sobre ela. Logo, se Deus quiser matar a quantos quiser, isso lhe está permitido sem nenhum problema moral; antes, Lhe é de seu perfeito direito.
  • Non-sequitur: Mesmo que o argumento fosse em suma verdadeiro, a conclusão "Deus não existe" não segue, mas sim a de que a Bíblia está errada em dizer que Deus estava por trás daqueles atos. Isso se deve porque:
    • Na teologia, a doutrina de inerrância bíblica é de menor importância do que a doutrina de Deus. Logo, se elas de alguma maneira entrarem em conflito, é a primeira que deve ser negada e não a segunda. Logo, se o argumento esta certo em dizer que há uma incompatibilidade entre o relato do Antigo Testamento e a onibenevolência de Deus, então é o relato que deve ser abandonado como incorreto e não a onibenevolência e consequente existência de Deus.
    • O atributo de ser onibenevolente faz parte do conceito de Deus, i.e. não se pode falar ou crer em Deus desconsiderando sua onibenevolência. Todavia, não faz parte da essência bíblica o ser inerrante; essa é uma doutrina que os cristãos acreditam, mas que não faz parte do texto propriamente dito (como o faz, por exemplo, o número de palavras). Dessa forma, a tese de que a Bíblia está certa nos relatos apontados é significativamente menos relevante do que a tese de que Deus é moralmente perfeito, tendo por isso precedência caso deva-se concluir que alguma das duas (a inerrância da Bíblia ou a existência de Deus) deva ser abandonada.

Referências

  1. 1.0 1.1 William Lane Craig on Dan Barker and Sam Harris (em inglês). Estrelando William Lane Craig. Publicado em 20 de agosto de 2009. Visualizado em 16 de outubro de 2010.


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