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Argumento da origem da ideia de Deus

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O argumento da origem da idéia de Deus é um argumento para a existência de Deus. Na sua versão dedutiva, o argumento pode ser resumido da seguinte maneira:[1]

  1. Nós temos ideias de muitas coisas.
  2. Essas ideias devem surgir ou de nós mesmos ou de coisas fora de nós.
  3. Uma das ideias que nós temos é a ideia de Deus - um ser perfeito e infinito.
  4. Essa ideia não poderia ter sido causada por nós mesmos, porque nós sabemos que somos limitados e imperfeitos, e nenhum efeito pode ser maior do que a sua causa.
  5. Logo, a ideia precisa ter sido causada por algo fora de nós que não possui nada menos do que as qualidades contidas na ideia de Deus.
  6. Mas apenas o próprio Deus possui essas qualidades.
  7. Logo o próprio Deus deve ser a causa da ideia que nós temos dEle.
  8. Logo, Deus existe.

Já na sua versão indutiva:

Seja E a ideia de Deus ter se originado entre os seres humanos, T teísmo, N naturalismo e ">>" "muito maior do que".

  1. E é sabido ser verdadeiro.
  2. Pr(E / T) >> Pr(E / N).
  3. N não é intrinsecamente muito mais provável que T.
  4. Outras evidências tomadas como iguais, Pr(T) > Pr(N).

Apresentação Edit

Sobre ele, o filósofo cristão Peter Kreeft comenta:[1]

Este argumento, feito famoso por Rene Descartes, tem um parentesco com o argumento ontológico. Ele começa a partir da ideia de Deus. Mas ele não afirma que ser real faz parte do conteúdo daquela ideia, como o argumento ontológico faz. Ao invés disso, ele tenta mostrar que apenas o próprio Deus poderia ter causado essa ideia surgir nas nossas mentes.

Avaliação Edit

Na formalização dedutiva citada anteriormente, a premissa crucial é a quarta que afirma que "a ideia de Deus não poderia ter sido causada por nós mesmos". Em resposta a tal sugestão, cenários explanatórios naturalistas poderiam ser dados na tentativa de mostrar que é perfeitamente possível que a ideia de Deus surgiria mesmo que o mesmo não existisse. Entre os vários cenários concebíveis, ao menos dois se destacam: o cenário do surgimento da ideia de Deus para fins explanatórios e o da noção de escala.

Noção de escala Edit

No cenário da noção de escala, argumenta-se que nós notamos graus de perfeição entre os seres finitos - alguns são mais perfeitos (ou menos perfeitos) do que outros. Para chegar-se à ideia de Deus, nós apenas poderíamos ter projetado a escala para cima até ao infinito. Dessa forma, parece não haver uma necessidade de Deus realmente existir para que a ideia dEle surgisse nas mentes humanas; tudo o que precisa-se é da experiência de graus de perfeição presente em seres finitos.[1]

Alguns filósofos rejeitam essa resposta. Kreeft escreve:[1]

Mas é isso realmente suficiente? Como poderíamos pensar sobre limitação ou imperfeição a menos que primeiro nós o reconheçamos como tal? E como nós podemos reconhecê-lo como tal a menos que nós já tivéssemos alguma noação de perfeição infinita? Para reconhecer coisas como imperfeita ou finita envolve a possessão de um padrão em pensamento que permite que tal reconhecimento seja possível. Será que isso parece improvável? Isso não significa que as crianças passem o seu tempo pensamento sobre Deus. Mas isso não significa que, seja quão tarde na vida você use o padrão, seja muito antes dele se aparecer explicitamente à consciência, ainda, a norma deve estar lá para que você possa usá-lo. Mas de onde que ele veio? Não da sua experiência ou de você mesmo ou do mundo que existe fora de você. Porque a ideia de um perfeição infinita já é pressuposta no seu pensamento sobre todas essas coisas e julgando-as imperfeitas. Logo nenhuma delas pode ser a origem da ideia de Deus; apenas o próprio Deus pode sê-lo.

Versão indutiva Edit

Embora cenários naturalistas concebíveis para a origem da ideia de Deus poderiam refutar a versão dedutiva do argumento, o mesmo não procederia quanto à versão indutiva; para esta, apenas notar que é possível explicar a origem da ideia de Deus sem apelar à Sua existência não é fazer mais do que concordar com a natureza indutiva do argumento. O máximo que tais explicações fazem é mostrar que a origem da ideia é compatível com a inexistência de Deus. Para objetar a esta versão, não basta apresentar cenários alternativos; é necessário que se demonstre ou que a origem da ideia de Deus não é provável dado o teísmo, ou que seria igualmente provável dado o naturalismo.

Referências


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