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Argumento da moralidade objetiva

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O argumento da moralidade objetiva (ou dos valores e deveres morais objetivos) é uma forma especial do argumento moral para a existência de Deus que utiliza da alegada existência de moral objetiva para defender a sua conclusão. Defendido por pessoas como o filósofo e teólogo William Lane Craig e o escritor C. S. Lewis, ele pode ser esquematizado da seguinte maneira:[1]

  1. Se Deus não existe, deveres e valores morais objetivos não existem.
  2. Deveres e valores morais objetivos existem.
  3. Logo, Deus existe.

Apresentação Edit

Para muitos teístas como Robin Collins, a existência de valores morais é uma evidência da existência de um ser divino (Deus), não havendo fundamentos no naturalismo metafísico para a justificação da existência e tampouco da aceitação destes. Essa "necessidade de Deus" não é apenas largamente aceita entre teístas, mas por não-teístas também: filósofos como Sartre e Nietsche concordavam que a moralidade objetiva requeria Deus para poder existir.[2][3]

Avaliação Edit

Em se tratando de um argumento popular sobretudo fora do meio acadêmico graças à sua defesa por parte de Craig, várias repostas já foram apresentadas como crítica à qualidade deste argumento. Enquanto filósofos ateus como Michael Martin[4] e Austin Dacey[5] questionam a necessidade de Deus para a existência de valores morais objetivos, outros pensadores como Friedrich Nietzsche[fonte?] e Michael Ruse[fonte?] alegam não haver tal moralidade objetiva.

Críticas gerais Edit

Em seu debate com Craig, John Shook alegou que o argumento da moral objetiva consiste numa falácia petitio principii porque, ao alegar que valores morais objetivos são transcendentais à razão humana, isso já pressupõe a existência de Deus.[6]

Críticas à primeira premissa Edit

De acordo com alguns filósofos como Austin Dacey, a existência de valores morais objetivos não é evidência da existência de Deus.[5]

Filósofos como William Lane Craig alegam que objeções como a de Dacey são falhas.[7]

Críticas à segunda premissa Edit

Assim como é quanto à primeira premissa, a existência de valores morais objetivos têm sido alvo de uma série de críticas.

Diferentes moralidades entre sociedades Edit

Uma objeção comum à premissa de que os valores morais são objetivos é a de que várias sociedades e povos construiram e acreditavam em valores morais distintos.[8][9] O filósofo cristão Victor Reppert representou esta objeção com o seguinte esquema, chamando-o de "argumento da discordância":

  1. Pessoas e culturas discordam extensivamente sobre o que é certo e o que é errado.
  2. Provavelemnte, se os julgamentos morais fossem objetivamente verdadeiros ou falsos, as pessoas não iriam extensivamente discordar sobre o que é certo e o que é errado.
  3. Logo, provavelmente, julgamentos morais são subjetivos.[10]

Esta objeção, todavia, possui pelo menos dois problemas. Em primeiro lugar, a idéia de que sociedades diferentes desenvolveram valores morais diferentes é parcial, pois no âmago das diferenças sempre observa-se um reconhecimento comum entre eles, ao mesmo tempo em que, muito embora os valores divergem, o senso de que há regras morais a serem cumpridas permanece, bem como a confissão da existência de tais regras - seja lá qual forem. No seu livro Cristianismo Puro e Simples, C. S. Lewis escreveu o seguinte sobre esse tema:

Sei que certas pessoas afirmam que a idéia de uma Lei Natural ou lei de dignidade de comportamento, conhecida de todos os homens, não tem fundamento, porque as diversas civilizações e os povos de diversas épocas tiveram doutrinas morais muito diferentes.
Mas isso não é verdade. É certo que existem diferenças entre as doutrinas morais de diversos povos, mas elas nunca chegaram a constituir algo que se assemelhasse a uma diferença total. Se alguém se der o trabalho de comparar os ensinamentos morais dos antigos egípcios, dos babilônicos, dos hindus, dos chineses, dos gregos e dos romanos, ficará surpreso, isto sim, com o imenso grau de semelhança que eles têm entre si e também com nossos próprios ensinamentos morais. (...) Basta perguntar ao leitor como seria uma moralidade totalmente diferente da que conhecemos. Imagine o país que admirasse aquele que foge do campo de batalha, ou em que um homem se orgulhasse de trair as pessoas que mais lhe fizeram bem. O leitor poderia igualmente imaginar o país onde dois e dois são cinco. Os povos discordaram a respeito de quem são as pessoas com quem você deve ser altruísta – sua família, seus compatriotas ou todo o gênero humano; mas sempre concordaram em que você não deve colocar a si mesmo em primeiro lugar. O egoísmo nunca foi admirado. Os homens divergiram quanto ao número de esposas que poderiam ter, se uma ou quatro; mas sempre concordaram em que você não pode simplesmente ter qualquer mulher que lhe apetecer.[9]

De forma semelhante, o filósofo e teólogo cristão William Lane Craig comenta:

Eu acho que isso é certamente verdadeiro, mas muito frequentemente você vai achar uma igualdade entre as culturas que underlies as diferentes expressões culturais desses valores morais. Por exemplo, modéstia é um valor moral comum, mas o que é considerado modéstia numa cultura ao invés de outra pode variar de cultura para cultura. Ou por exemplo, tribos canibais acreditam na ética de amar o seu próximo, mas eles não consideram pessoas de outras tribos como sendo seus próximos, então enquanto eles não iriam canibalizar membros de sua própria tribo, eles iriam canibalizar membros de outras tribos. Então, entre a aparente diversidade moral há, eu acho, um código moral comum.[9]

O segundo problema é que enquanto o argumento trata da questão ontológica da moralidade, esta objeção levanta a questão epistemológica que diz respeito ao vir a conhecer quais são estes valores morais. Dessa forma, a objeção não apenas perde o sentido do argumento como também comete uma falácia non sequitur ao alegar que porque as diferentes sociedades não chegaram a concluir os mesmos valores morais, então estes não existem (i.e. são subjetivos). C. S. Lewis comenta:

Parece, portanto, que só nos resta aceitar a existência de um certo e um errado. As pessoas podem volta e meia se enganar a respeito deles, da mesma forma que às vezes erram numa soma; mas a existência de ambos não depende de gostos pessoais ou de opiniões, da mesma forma que um cálculo errado não invalida a tabuada.[9]

Outras linhas de argumentação Edit

Uma outra objeção a este argumento baseia-se na questão da existência de realidades não-físicas:[10]

  1. Provavelmente não há realidades que não sejam físicas por natureza; isto é, que não existam em lugares e tempos particulares e não são estados complexos de partículas físicas fundamentais.
  2. Se valores morais objetivos existem, então existiriam realidades que não são físicas por natureza.
  3. Logo, provavelmente, não há valores morais objetivos.

Outra crítica inverte o raciocínio propondo que, se alguém achar que a existência de Deus é suficientemente improvável, ele tem nisso um defeater para a segunda premissa na forma como segue:[10]

  1. Provavelmente, a menos que haja um Deus, não poderia haver valores morais objetivos.
  2. Deus não existe.
  3. Logo, provavelmente, valores morais objetivos não existem.

Neste caso a pessoa deveria se perguntar o que é mais provável: a veracidade do teísmo ou da segunda premissa.

Outra crítica parte da teoria epistemológica chamada cientificismo e pode ser esquematizada da seguinte maneira:[10]

  1. O que a ciência não pode descobrir, a humanidade não pode saber.
  2. A ciência não pode descobrir quais valores morais são corretos e quais não são.
  3. Logo, a humanidade não pode descobrir quais valores morais são corretos e quais não são.
  4. Se nós não podemos em princípio descobrir quais valores morais são corretos ou errados, então nós deveríamos vê-los como subjetivos e não objetivos.
  5. Logo, nós deveríamos ver valores morais como subjetivos e não objetivos.

Essa crítica falha no momento em que o cientificismo por ela assumido (primeira premissa) constitui-se numa teoria epistemológica ruim.


Veja também Edit

Referências

  1. John Shook v. William Lane Craig Debate: "Does God Exist?" (em inglês). Estrelando William Lane Craig e Peter Shook. Publicado no YouTube por centerforinquiry em 25 de junho de 2009. Visualizado em 28 de dezembro de 2010. Duração: 1:04:46.
  2. William Lane Craig vs Peter Atkins (HQ) 2/11 (em inglês). Estrelando William Lane Craig. Debate entre William Lane Craig e Peter Atkins. Publicado no YouTube por Christianjr4 em 15 de junho de 2008. Visualizado em 28 de dezembro de 2010. Duração: 9:31.
  3. Geisler, Norman; Paul D. Feinberg. Introdução à Filosofia: Uma perspectiva cristã (em <Língua não reconhecida>). 2º. ed. [S.l.]: Vida Nova, 1996. p. 58. ISBN 9788527501422.
  4. Livro "Ensaios Apologéticos"
  5. 5.0 5.1 Does God Exist? William Lane Craig vs Austin Dacey 8/14 (em inglês). Estrelando Austin Dacey e William Lane Craig. Debate entre William Lane Craig e Austin Dacey. Publicado no YouTube por Christianjr4 em 7 de julho de 2008. Visualizado em 28 de dezembro de 2010. Duração: 7:03.
  6. John Shook v. William Lane Craig Debate: "Does God Exist?" (em inglês). Estrelando William Lane Craig e Peter Shook. Publicado no YouTube por centerforinquiry em 25 de junho de 2009. Visualizado em 28 de dezembro de 2010. Duração: 1:04:46. Momento específico: 0:40:00.
  7. Does God Exist? William Lane Craig vs Austin Dacey 9/14 (em inglês). Estrelando William Lane Craig e Austin Dacey. Debate entre William Lane Craig e Austin Dacey. Publicado no YouTube por Christianjr4 em 7 de julho de 2008. Visualizado em 28 de dezembro de 2010. Duração: 8:39. Momento específico: 4:51 em diante.
  8. Can God's Existence be Demonstrated? (William Lane Craig) (em inglês). Estrelando William L. Craig e Lawrence Kuhn. Produzido e editado por Closer to Truth e publicado no YouTube por drcraigvideos em 5 de janeiro de 2011. Visualizado em 5 de janeiro de 2011.
  9. 9.0 9.1 9.2 9.3 C. S. Lewis. Cristianismo Puro e Simples (em <Língua não reconhecida>). 3. ed. [S.l.]: martinsfontes. 9-10 pp. ISBN.
  10. 10.0 10.1 10.2 10.3 Reppert, Victor (13 de janeiro de 2008). Some argument against objective moral values (em inglês). Blog dangerous idea. Página visitada em 31 de maio de 2010.


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