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Um argumento da evolução é um argumento que utiliza-se da teoria da evolução de Charles Darwin para defender a sua conclusão. No contexto da filosofia da religião, argumentos da evolução são mais comuns em versões à favor do ateísmo e são um dos mais famosos em termos de razões que levam pessoas a abandonar a sua fé religiosa.[fonte?] Entre os que defendem a teoria da evolução como razão para rejeitar-se o teísmo encontram-se o biólogo ateu Richard Dawkins enquanto que um exemplo de defensor da versão teísta é o filósofo e teólogo William Lane Craig.[1]

Como forma forma geral, argumentos da evolução podem ser esquematizados da seguinte maneira:

  1. Se a evolução das espécies do planeta Terra ocorreu, então Deus existe / não existe.
  2. A evolução das espécies ocorreu.
  3. Logo, Deus existe / não existe.

A evolução à favor do ateísmo Edit

Segundo os ateus e céticos, a teoria da evolução é um poderoso argumento contra a existência de um ser sobrenatural que tenha sido a causa do surgimento da vida na Terra.

Este argumento possui algumas linhas pelas quais os ateus normalmente trilham a fim de utilizar a evolução contra o teísmo:

  1. Contra o relato de Gênesis;
  2. Contra a interferência de um Designer;
  3. Tempo sem sentido;
  4. mal natural;
  5. explicação do surgimento da crença em deuses.

A Evolução contra Gênesis Edit

Esta linha de argumento afirma que, sendo a Teoria da Evolução cientificamente correta (e, nas palavras de Richard Dawkins, "um fato"), enquanto que o livro de Gênesis não possui base científica, o primeiro acaba mostrando que o segundo está errado e, estando Gênesis errado, toda a doutrina bíblica falha e Deus, por consequência, não existe (ou provavelmente não existe).

A Evolução contra um Designer Edit

A argumentação segundo esta linha está em afirmar que a Evolução substitui a hipótese de um Designer (neste caso, necessariamente naturalista, ou seja, com mutações que ocorrem ao acaso e eventos totalmente naturais que "controlam" a seleção natural). Esta objeção normalmente é apresentada colocando-se a hipótese de design ao lado da evolução, i.e. negando a possibilidade de uma evolução teísta.

Kyle J. Gerkin formulou uma versão especial deste argumento que é chamado na TW de Argumento da Evolução de Gerkin.[2] Nela, Gerkin analisa a idéia de que a única forma de produção de inteligência sem requerer-se uma inteligência anterior que se tem notícia é a evolução por seleção natural e, a partir desta e de outras premissas, conclui que nenhuma inteligência poderia estar por trás do surgimento do Universo.

Características Edit

Alguns dos argumentos da evolução alegam que certas características presentes na evolução são incompatíveis com a existência de Deus. Entre as características apresentadas, encontram-se: o tempo que levou para a evolução ocorrer com todas as perdas que isso significou; a presença do mal natural durante o processo evolutivo, como a extinção de animais ou o mal natural presente na cadeia alimentar e na luta por sobrevivência; a natureza randômica das mutações.

A Evolução e o tempo Edit

Ver artigo principal: Argumento da duração da evolução

Esta linha serve de ataque à idéia de evolução teísta e afirma que não faz o menor sentido Deus ter levado bilhões de anos para criar a vida na Terra podendo ter feito instantâneamente (como numa interpretação tradicional de Gênesis).

Ineficiência Edit

Pessoas como o filósofo ateu Austin Dacey alegam que o processo evolutivo é muito ineficiente, pois a característica da evolução de permitir que muitos seres surjam com muitas disfunções e peças inúteis para depois serem descartados pela seleção natural, caracaterística essa que levou à maioria das espécies a serem extintas, é uma evidência contra a idéia de projeto e é muito problemática para ter sido admitida por um Projetista Inteligente.[3]

Mal natural Edit

O biólogo ateu Richard Dawkins é um dos que defendem que a presença de males naturais durante o curso da evolução é incompatível com a existência de um Projetista, defesa esta que fez em livros como em O Rio que Saía do Éden.

Mutações randômicas Edit

Partindo do princípio que um Projetista iria ter cuidado das mutações que ocorreram durante o curso da evolução, argumenta-se que o caráter randômico destas constitui uma evidência de que um Projetista não está por trás do processo evolutivo, contrariando a suposição anterior de que, caso este existisse, Ele o estaria.

Explicação para o mal natural Edit

Parecida com a anterior, esta linha de argumento identifica que há vários exemplos de mal natural na Natureza que são mais bem explicados pela evolução darwiniana do que por uma evolução teísta ou mesmo outra forma de criação onde há a presença de um Designer.

Explicação para a crença em deuses Edit

A evolução à favor do teísmo Edit

Ver artigo principal: Argumento da evolução para o teísmo

Já para os teístas, a Evolução não é um forte argumento contra a existência de Deus porque a teoria, por mais que estivesse correta, no máximo poderia desprovar a doutrina da infalibilidade bíblica, mais precisamente cortando fora a narrativa dos dois primeiros capítulos do Gênesis, o que não invalidaria todo o resto.

Normalmente argumenta-se que nem sequer isso é visto, uma vez que a narrativa da [re]criação em Gênesis deixa em aberto várias possíveis interpretações, algumas das quais são viáveis com a Evolução (a própria escala cronológica de como os eventos teriam ocorrido em muito se parece com a linha do tempo proposta pelos evolucionistas modernos).

Por outro lado, alguns teístas como William Lane Craig defende que, se a teoria da Evolução está correta, então ela é justamente uma evidência da existência de Deus, no caso como um Guia da seleção natural. Isso é argumentado porque, tendo em vista os cálculos da probabilidade das coisas terem ocorrido como a teoria propôs, defender que ela ocorreu por mero acaso, dizem eles, é um absurdo e, portanto, mais defende a presença de um "Criador evolucionista" do que a sua inexistência.

Avaliação Edit

Além da demonstração de que a evolução aparenta ser mais um argumento pelo teísmo do que para o ateísmo (veja logo abaixo), o teísmo tenta combater este argumento em algumas linhas de raciocínio, dentre elas:

  1. Há erros na evolução;
  2. Há como conciliar parte da evolução com Gênesis, e as partes inconciliáveis são os erros da teoria;
  3. Mesmo que a doutrina de inerrância bíblica falhe, Deus não deixa de existir por causa disso.
  4. A Teoria da Evolução Darwiniana não é uma teoria científica e jamais poderá ser oficializada como verdadeira.
  5. A evolução não é um argumento contra a existência de Deus, mas um argumento contra uma metodologia específica que Deus poderia ter usado ao trazer os seres vivos à existência na Terra.

Além destas três linhas de argumentação, o teísmo ainda tenta refutar as afirmações ateístas.

Modelos de evolução Edit

Uma das respostas possíveis à utilização da evolução como evidência para o ateísmo é a menção às diferentes versões da teoria (como a evolução teísta) aliado à observação de que as evidências não distinguem claramente uma delas como a correta.

De acordo com esta linha, observa-se que há várias versões da teoria da evolução e nem todas elas são anti-teístas. Se, por um lado, uma evolução totalmente naturalista e em nada relacionada com Deus conta como evidência contra a Sua existência, modelos como a de evolução teísta e evolução teísta guiada contariam perfeitamente como evidência positiva para Deus. Todavia, observa-se que as evidências para a evolução mencionadas aparentemente são incapazes de distinguir qual das versões é a verdadeira e, portanto, a teoria da evolução como um todo fica incapaz de contar como evidência para o ateísmo. Por uma questão de simplicidade (veja navalha de Occam) e por causa da manipulação na ciência proporcionada pelo naturalismo científico, tradicionalmente trabalha-se como se a evolução fosse naturalista (i.e. este é o paradigma na ciência), mas isso não significa que esta seja a versão correta. Assim, conclui-se que o conhecimento científico atual a respeito das evidências da evolução é incapaz de torná-la um bom argumento para o ateísmo.

Impossibilidade da averiguação do sobrenatural Edit

Apologistas como Martin Bittencourt argumentam que, na ausência de instrumentos e métodos de verificação da ação do sobrenatural sobre o natural, é impossível defender-se que a evolução ocorre de forma totalmente natural e, dessa forma, contrária à existência de Deus.

Petição de princípio Edit

Como James Backwith expõe no livro Ensaios Apologéticos, a compreensão do termo "evolução" nos dias de hoje não presume as simples variações dentro de uma espécie, mas carrega pressuposições que a tornam uma teoria não puramente científica, mas fundamentalmente baseada no naturalismo. Em outras palavras, quando o termo "evolução" é empregado, não esta-se considerando a possibilidade de uma evolução teísta, mas realmente uma teoria fundamentada no naturalismo metafísico - isso ocorre de forma especial ao utilizar-se esse argumento já que, doutra sorte, se uma evolução teísta estivesse sendo considerada ao usar-se o termo "evolução", então não haveria motivos para alegar que esta é incompatível e/ou evidência contra o teísmo.

Todavia, se a evolução, nos termos empregados, consiste numa teoria naturalista e, portanto, precisa-se pressupor o naturalismo para que se aceite-a, então tem-se que o argumento comete a falácia de petição de princípio, pois o naturalismo metafísico é, no fim, equivalente à alegação do ateísmo de que "Deus não existe", a qual é justamente a conclusão do argumento. Para que isso seja evitado, precisa-se incluir o conceito de evolução teísta dentro do termo "evolução" para que este não pressuponha mais, necessariamente, o naturalismo metafísico. Se, todavia, isso é feito, então qualquer incompatibilidade entre evolução e Deus é aniquilada e o defensor do argumento teria que partir para uma demonstração de que a evolução que ocorreu foi mesmo a naturalista, e não a teísta. Como há algumas lacunas impreenchíveis nos dias modernos no que diz respeito a essa discussão - a origem da primeira célula, o quão randômicas as mutações são -, defender esta premissa, no máximo, terminaria num argumento indutivo fraco.

Explicação do mecanismo e contra-evidência Edit

Também aponta-se que postular um mecanismo (evolução por seleção natural) para explicar como a vida se desenvolveu não explica o porque que aquele mecanismo veio a existir em primeiro lugar. Observando-se isso, pode-se notar a validade da transferência do pensamento de Isaac Newton para a teoria da evolução quando aquele, após descobrir a teoria da gravidade, não negou a existência de Deus em função dela porque compreendeu que a existência de um mecanismo não é um argumento contra a existência de um agente que projetou o mecanismo.[4] Antes pelo contrário, dado o fato que num universo sem Deus a existência de vida é meramente possível enquanto que num universo com Deus, no sentido cristão, é certa, tem-se que a existência de um mecanismo capaz de produzir vida como a evolução por seleção natural "fecha" melhor com Deus do que sem Ele, de maneira que a simples existência do mecanismo evolutivo conta como evidência de que Deus existe.

Versão voltada contra o ateísmo Edit

Pessoas como Alvin Plantinga[5] notaram que alguém que é convencido pela idéia principal do argumento - a de que Deus e a evolução são incompatíveis - poderiam negá-lo usando-se do pensamento reverso àquele usado pelo argumento, i.e. alguém que acredita que a evolução e Deus são incompatíveis mas também acredita que Deus existe (antes de ver o argumento) acabaria por concluir que a segunda premissa é justamente falsa: a evolução não ocorreu, o que parece ser um raciocínio perfeito. Para invalidá-lo, o argumentador teria que mostrar boas razões para acreditar que a ocorrência da evolução é mais provável do que a existência de Deus, assim precisando aderir a um outro argumento e não somente a esse. Todavia, se esse falhar nessa missão, este argumento é incapaz de manter-se sozinho contra Deus e o teísta acaba sendo vencedor. Acrescenta-se, como Plantinga disse em sua crítica ao livro de Dawkins e como pode ser visto no seu argumento ontológico,[fonte?] a probabilidade de Deus existir tendo em vista que é possível que Ele exista é 1 (100%), o que limitaria os argumentos apenas àqueles que demonstram ser a existência de Deus impossível. Como, os teístas defendem, nenhum argumento desse tipo foi mostrado válido, tem-se que a defesa do ateísmo com base em alguma incompatibilidade entre evolução e Deus acaba por ser frustrada; o argumento não consegue o suporte exterior que precisa.

Veja também Edit

Referências

  1. Craig, William Lane. The Craig-Pigliucci Debate: Does God Exist? - Dr. Craig's First Rebuttal (em inglês). Leadership University. Página visitada em 16 de março de 2011.
  2. Gerkin, Kyle J. (2002). A Counterclockwise Paley (em inglês). Infidels. Arquivado do original em 14 de abril de 2010. Página visitada em 14 de abril de 2010.
  3. 5/14 Deus Existe? Lane Craig x Austin Dacey - LEGENDADO (em inglês). Estrelando Austin Dacey e William Lane Craig. Publicado no YouTube por Raxy33 em 10 de outubro de 2010. Visualizado em 31 de dezembro de 2010. Duração: 8:28.
  4. The New Atheism Discussion (John Lennox) (em inglês). Estrelando John Lennox. Publicado no YouTube por rfvidz em 16 de fevereiro de 2011. Visualizado em 21 de fevereiro de 2011. Duração: 1:21:35. Momento específico: 0:24:30-0:24:52.
  5. Alvin Plantinga: Science & Religion - Where the Conflict Really Lies (em inglês). Estrelando Alvin Plantinga. Publicado no YouTube por BiolaUniversity em 12 de novembro de 2010. Visualizado em 28 de novembro de 2010.


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