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O argumento da causalidade eficiente é um argumento para a existência de Deus. O argumento pode ser resumido da seguinte maneira:

  1. Ou todas as coisas que existem são causadas por outras a existir [agora mesmo], ou pelo menos uma coisa não é causada a existir.
  2. Se todas as coisas que existem precisassem de uma causa para existir [agora mesmo], nada existiria.
  3. Mas algo existe - algo que é causado a existir por outra coisa.
  4. Assim, não pode ser o caso que todas as coisas que existem sejam causadas por outras a existir [agora mesmo].
  5. Logo, deve haver uma Causa Não Causada, algo que existe sem ser causado a existir por outra coisa.

Exposição Edit

O filósofo cristão Peter Kreeft comenta:[1]

Nós notamos que algumas coisas causam outras a ser (a começar a ser, a continuar a ser ou ambos). Por exemplo, um homem tocando piano está causando a música que nós ouvimos. Se ele parar, assim também ocorre com a música.

Agora pergunte-se: Todas as coisas que existem são causadas a existir por outras coisas agora mesmo? Suponha que elas sejam. Isto é, suponha que não exista nenhum Ser Não Causado, nenhum Deus. Então nada poderia existir agora mesmo. Pois lembre-se, na hipótese sem Deus, todas as coisas precisam de uma causa presente fora delas mesmas para que possam existir. Então agora mesmo, todas as coisas, incluindo aquelas que estão causando coisas a ser, precisam de uma causa. Eles podem dar ser apenas enquanto se lhes é dado ser. Todas as coisas que existem, logo, nessa hipótese, estão em necessidade de serem causadas a existir.

Mas causadas pelo que? Além de tudo o que há, nada pode haver. Mas isso é absurdo: toda a realidade dependente - mas dependente de nada! A hipótese que todo ser é causado, de que não há nenhum Ser Não Causado, é absurda. Então deve haver alguma coisa não causada, algo na qual todas as coisas que precisam de uma causa eficiente de ser são dependentes.

Existêcia é como um presente dado pela causa ao efeito. Se não há ninguém com o presente, o presente não pode ser passado adiante pela corrente de recebedores, seja quão longa ou pequena a corrente possa ser. Se todos precisam pegar emprestado algum certo livro, mas ninguém realmente o tem, então ninguém jamais irá ganhá-lo. Se não hé nenhum Deus que possua existência pela sua própria natureza eterna, então o presente da existência não pode ser passado adiante pela corrente de criaturas e nós nunca o ganharemos. Mas nós o ganhamos; nós existimos. Logo deve haver um Deus: um Ser Não Causado que não precisa receber existência como nós - e todos os demais ligados na corrente de recebedores.

Avaliação Edit

Algumas críticas poderiam ser lançadas a esse argumento.

Uma delas questiona o porquê de não podermos ter uma série infinita de coisas mutuamente mantendo umas as outras,[1] uma hipótese semelhante à do coerentismo na justificação da verdade. Uma analogia pode ser feita: talvez um único bêbado não consiga se manter em pé, mas um grupo de bêbados, todos juntos abraçados e mutuamente suportando uns aos outros, conseguissem. Segundo Kreeft, embora essa hipótese seja atraente, ela não se sustenta: as coisas precisam existir para que possam ser mutuamente dependentes; elas não podem depender umas das outras para todo o seu ser, pois então elas teriam que ser simultaneamente causa e efeito umas das outras. Seria um absurdo postular que "A causa B, B causa C e C causa A". O argumento tenta mostrar porque um mundo com causas causadas pode ser dado (ou existir) em primeiro lugar. Quanto à analogia, os muitos bêbados poderiam se suportar caso se admitisse um chão firme sobre o qual possam pisar, mas não se poderia compreender como eles se manteriam em pé se não houvesse nenhum chão sob eles - e tampouco haveria alguma coisa para se compreender caso não existisse nenhum bêbado em primeiro lugar.[1]

Uma outra crítica possível questiona o porquê de não podermos ter uma série de causas causadas extendendo-se até ao passado, situação na qual tudo seria causado a ser mesmo que suas causas talvez não mais existam.[1] Kreeft responde que, se [a defesa do] o argumento cosmológico Kalam estiver correto, não poderia existir uma série infinita de causas extendendo-se até ao infinito eliminando tal crítica. Todavia, ainda que esse não fosse o caso, o argumento ainda se sustentaria pois independe da existência de um passado finito ou infinito; o mesmo lida com o que existe agora mesmo. Kreeft pondera:[1]

Mesmo enquanto você lê isso, você é dependente de outras coisas; você não poderia, agora mesmo, existir sem elas. Suponha que há sete destas coisas. Se essas sete coisas não existissem, você tampouco existira. Agora suponha que todas as sete dependem para a sua existência agora mesmo em ainda outras coisas. Sem aquelas, as sete coisas sobre as quais você depende agora não existiriam - e nem existira você. Imagine que o universo inteiro consiste de você e das sete coisas que o sustentam. Se não existe nada além daquele universo de coisas dependentes e em mudança, então o universo - e você como parte dele - não poderiam ser. Porque tudo o que é iria agora mesmo precisar receber ser mas não haveria nada capaz de dá-lo. E, todavia, você existe. Então precisa existir, nesse caso, algo além do universo de coisas dependentes - alguma coisa não dependente como elas são.

Naturalmente se isso é verdade para o universo hipotético de alguém e as tais sete coisas nas quais depende para existir, então é igualmente verdade para qualquer situação equivalente com um número maior de coisas existindo e dependendo de outras para existir como no caso do universo real.[1]

Referências

  1. 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 Kreeft, Peter J.. The Argument from Efficient Causality (em inglês). The Official Peter Kreeft Site[1]. Página visitada em 2 de janeiro de 2011.


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