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O argumento da auto-criação consiste na hipótese ateísta de que o universo existe porque criou a si mesmo, e não Deus. Stephen Hawking talvez seja o mais proeminente defensor do argumento, tendo-o explícitamente defendido em seu livro de 2010 "The Grand Design".

O argumento é rejeitado por teístas sob a alegação de que ele comete um erro filosófico indiscutível: o de alegar que algo inexistente pode fazer alguma coisa, no caso, criar.

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O argumento pode ser criticado como cometendo o mesmo erro que a versão de Anselmo do argumento ontológico comete, segundo o que observou Immanuel Kant: entender "existência" como uma propriedade que um sistema pode ou não ter.

A alegação de que algo inexistente pode fazer algo parece dizer que há dois grupos em que algo necessariamente vai estar em um ou em outro: um grupo é o da existência e o outro da não-existência. Todavia, isso não procede, pois só há um grupo, o da existência, e a questão gira em torno de se algo está ou não neste grupo, i.e. se algo existe ou não. Isso se deve porque não estamos tratando de grupos como cores, beleza ou sabores, mas o grupo da existência, e fora deste grupo não pode estar nada: não há existência fora dele (a única existência é dentro dele), de modo que se algo não está nele, simplesmente não está: não há outro lugar para estar. O caso é que "existência", como notou Kant, não é uma propriedade que algo possa ter ou não ter, e o argumento parece pressupor isso ao dar a idéia de um universo com, por exemplo, a gravidade e que, através desta, adquire essa nova "propriedade" de existir. Antes, existência a atualização - o tornar real - um sistema com suas propriedades, e por isso algo inexistente não constitui nem sistema, nem propriedades, e de modo sequer constitui "algo". Daí conclui-se que algo inexistente, por sequer ser "algo" propriamente dito, não pode fazer nada - o "fazer" é algo restrito à coisas já existentes - e, por isso não pode criar.

Um crítico poderia apontar que algo inexistente na realidade de fato "existe num segundo grupo", apontando que a imaginação fornece essa base, i.e. algo pode não existir na realidade, mas pode existir na imaginação. Todavia, isso consiste em dizer que uma mesma coisa está presente ou na realidade ou na nossa mente (ou em ambos). Só que a nossa mente não possui uma realidade: ela projeta uma possível realidade, fictícia. Nâo constitui um plano de existência, mas uma projeção do que seria algo caso existisse, de modo que se pensamos algo que existe não estamos pensando sobre esse algo existente, mas criando uma projeção imaginária sobre o existente, contendo uma referência entre ambas. Se, por outro lado, imaginamos algo que não existe, então não estamos tratando de algo existente "em outro plano": estamos apenas projetando algo fictício que não possui correspondente na realidade. Pode-se aplicar o princípio de Leibniz de que se algo tem uma propriedade diferente ou a potencialidade de ter uma propriedade diferente de outro algo, então não se tratam da mesma coisa. Como o objeto real possui a propriedade de ser, por exemplo, material, físico, enquanto que a imaginação não é física (não tem matéria), então a imaginação e o objeto real não são a mesma coisa, o que significa que aquele objeto não está existindo "em outro plano de existência", mas ele simplesmente não existe: a imaginação é outra coisa, uma aproximação, mas não o mesmo objeto.

Referências


Argumentos contra o Teísmo

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