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Argumento cosmológico

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Argumento cosmológico é uma família de argumentos que normalmente tenta mostrar que existe uma primeira causa ou uma razão suficiente para a existência do mundo.[1] Dessa maneira, a maioria dos argumentos cosmológicos defendem a existência de Deus. No entanto, há aqueles que defendem versões ateístas, argumentos que demonstram a partir de alguma caracaterística do universo ou do seu início (Big Bang) que este não pode ter sido causado.

Entre os que defenderam versões teístas incluem o filósofo grego Platão, possivelmente o primeiro a formular um argumento cosmológico, além de Aristóteles, Tomás de Aquino, Leibnitz e atualmente Richard Swinburne e William Lane Craig. Entre os defensores de versões ateístas incluem o filósofo ateu contemporâneo Quentin Smith.

Apresentação Edit

Argumentos cosmológicos são argumentos que concluem que um ser com atributos divinos (normalmente denominado "Deus") existe tendo como base alguma consideração sobre o universo, seja a sua existência, seja a natureza das coisas que eventualmente o compõe ou ele próprio. Dessa forma, os argumentos cosmológicos são todos a posteriori e distinguem-se dos teleológicos tanto porque não consideram uma alegada aparência de projeto no universo, mas ele próprio, como também porque a pergunta que ele objetiva responder é "por que algo existe ao invés de simplesmente nada?" e não "por que as coisas que existem no universo são dessa forma e não de outra?".

Estes argumentos tangem em muito as noções de causalidade entre entidades, a questão da explicação da existência, a natureza do tempo e alegadas verdades metafísicas. Usando-se destas noções e alegando que o universo existe, cada versão do argumento acaba por concluir a existência de Deus. Dessa forma, a seguinte estrutura pode ser tida como um resumo de todos os argumentos cosmológicos:

  1. Se o universo existe e é p, ou se coisas existem e são p, então Deus existe.
  2. O universo existe/Coisas existem.
  3. O universo é p/Coisas são p.
  4. Logo, Deus existe.

Versões Edit

Muitas versões do argumento foram criadas. Segue uma lista com resumos de muitas dessas versões, segundo o seu criador. (Para uma análise mais precisa de cada argumento, procure pelo artigo específico de cada um)

Platão Edit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo Platão

O argumento cosmológico de Platão pode ser esquematizado da seguinte maneira:

  1. Algumas coisas estão em movimento.
  2. Há dois tipos de movimento: movimento comunicado e auto-movimento.
    1. Movimento comunicado são transmitidos de outro.
    2. Auto-movimento é auto-originado.
  3. Movimento comunicado implica em auto-movimento.
    1. Coisas em movimento requerem auto-movimento como a fonte final do seu movimento.
      1. Se não houvesse uma auto-movimentada fonte final, então não haveria começo para o movimento comunicado.[nota 1]
      2. Se o movimento não tem começo, ele não pode existir agora.
      3. Mas movimento existe (1).
      4. Logo, precisa haver um começo do movimento comunicado numa fonte final e de auto-movimento.
    2. Uma origem temporal de movimento requer uma fonte de movimento temporal, primária e auto-movimentada [/automotiva].
      1. Movimento comunicado implica a presença de outra coisa que se move.
      2. Logo, movimento comunicado não pode ter sido a primeira coisa a ser originada.
      3. Auto-movimento é auto-originado.
      4. Logo, auto-movimento pode ter sido o primeiro movimento a se originar.
  4. Alma (Mente) é a causa de todo movimento.
    1. Movimento comunicado implica em auto-movimento (3).
    2. Auto-movimento é causado pelo poder animado das almas (mentes) de auto-movimentadores.
  5. Alma (Mente) é a causa de movimento astronômico.
    1. Os céus estão em movimento.
    2. Alma (Mente) é a causa de todo movimento (4).
  6. Há muitas almas celestiais (mentes).
    1. Movimentos regulares requerem a existência de boa alma (mente), enquanto que movimentos erraticos requerem a existência de má alma (mente).
    2. O movimento de cada corpo celestial requere uma alma (mente) como a causa de seu movimento.
  7. A Alma (Mente) que move o universo é a mais alta Alma (Mente).
    1. Pois ele dá ordem racional e movimento a todo o cosmos.[2]

Aristóteles Edit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo Aristóteles
  1. Tudo o que está em movimento está sendo movido por algo.
  2. Este algo está ele mesmo em movimento ou não está em movimento.
  3. Se ele está em movimento, então ou ele se auto-movimenta ou é movido por outro.
  4. Os membros de uma série de coisas cada um sendo movido por outra precisa ultimamente estar em movimento apenas em referência a uma coisa auto-movimentada.
  5. Os membros de toda a série de auto-movedores e coisas movidas por outras precisam estar em movimento apenas por referência a um movedor não-movido (unmoved mover).
  6. O primeiro movedor precisa ser totalmente não-movido e eterno porque:
    1. o próprio movimento é contínuo e eterno.[3]

al-KindiEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo al-Kindi

Podemos esquematizar a prova total de Kindi, omitindo os detalhes não essenciais da argumentação, como segue:[4]

  1. Existem vários princípios auto-evidentes.
  2. O Universo teve um começo no tempo.
    1. O tempo é finito.
      1. Argumento da quantidade infinita.
        1. Uma quantia infinita real não pode existir.
        2. Tempo é quantitativo.
        3. Logo, tempo infinito não pode existir.
      2. Argumento da seleção de um dado momento.
        1. Para selecionarmos um dado momento no tempo, nós precisamos saber o que o tempo é.
        2. Se nós sabemos o que o tempo é, então nós sabemos quanto tempo se passou do dado momento até a eternidade.
        3. Deste modo, nós sabemos quanto tempo já transpareceu[nota 2].
        4. Logo, o tempo precisa ser finito.
      3. Argumento da chegada do dado momento.
        1. Antes de qualquer dado momento no tempo poder ter chegado, um número infinito de vezes antes teria que ser transversed se o tempo fosse infinito.[nota 3].
        2. Mas o infinito não pode ser transversed.
        3. Logo, nenhum dado momento poderia chegar.
        4. Mas isso é absurdo.
    2. O Universo não pode existir sem o tempo.
      1. Se o tempo é simplesmente duração, então o Universo não poderia existir sem duração.
      2. Se o tempo é a medição de movimento, o Universo não poderia existir sem o tempo.
        1. O Universo não pode existir sem movimento.
          1. Se o Universo estava totalmente parado desde a eternidade, ele não poderia começar a mover.[nota 4]
          2. Logo, agora não haveria nenhum movimento.
          3. Mas isso é absurdo.
    3. Logo, o Universo precisa ter tido um começo no tempo.
  3. O universo não poderia causar a si mesmo a vir à existência.[nota 5]
    1. O nada não pode causar algo a existir.
    2. Para causar a si mesmo, uma coisa precisaria ser algo diferente de si mesmo.[nota 6]
  4. A multiplicidade no Universo precisa ser causada.
  5. A causa da multiplicidade no Universo é a causa do próprio Universo, e este é o Um Verdadeiro.

al-FarabiEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo al-Farabi

Craig resume o argumento de al-Farabi da seguinte maneira:

  1. Seres contingentes começam a existir.
  2. Tudo que começa a existir tem uma causa de sua existência.
  3. Esta causa é contingente ou não.
  4. Uma série de seres contingentes cada um causado por outro não pode ser infinita ou circular.
  5. Logo, a série de seres contingentes precisa terminar em uma causa que é auto-existente e primeira.[5]

O apologista Norman Geisler o expõe de outra forma:[6]

  1. Existem coisas cuja essência é diferente de sua existência. Chamadas "seres possíveis", elas podem ser concebidas como não-existentes apesar de existirem.
  2. Esses seres têm existência apenas no plano acidental, isto é, não faz parte de sua essência existir. É logicamente possível que elas jamais existissem.
  3. Qualquer coisa que tenha existência acidental (e não-essencial) deve receber sua existência de outra. Já que a existência não é essencial a ela, deve haver alguma explicação para sua existência.
  4. Não pode haver uma regressão infinita de causas para a existência. Já que a existência de todos os seres possíveis é recebida de outra, deve haver uma causa pela qual a existência é recebida.
  5. Portanto, deve haver uma Primeira Causa de existência cuja essência e existência são idênticas. Esse é o Ser Necessário, e não apenas possível. A Primeira Causa não pode ser um mero ser possível (cuja essência é não existir), já que nenhum ser possível pode explicar a própria existência.

Ibn SinaEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo Ibn Sina

al-Ghazali Edit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo al-Ghazali

Ibn RushdEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo Ibn Rushd

Saadia Edit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo Saadia

MaimonidesEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo Maimonides

São Tomás de Aquino Edit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo São Tomás de Aquino

Tomás de Aquino expôs três argumentos cosmológicos dentro de suas Cinco Vias.

  1. Toda entidade finita e contingente tem uma causa.
  2. Nada finito e contingente pode causar a si mesmo.
  3. Uma corrente de causas não pode ser infinita.
  4. Logo, uma Primeira Causa precisa existir.[7]

O filósofo cristão Alvin Plantinga expressa um dos três argumentos de Aquino da seguinte forma:

Why is there anything at all? That is, why are there any contingent beings at all? (Isn't that passing strange, as Swinburne says?) An answer or an explanation that appealed to any contingent being would of course raise the same question again. A good explanation would have to appeal to a being that could not fail to exist, and (unlike numbers, propositions, sets, properties and other abstract necessary beings) is capable of explaining the existence of contingent beings (by, for example, being able to create them). The only viable candidate for this post seems to be God, thought of as the bulk of the theistic tradition has thought of him: that is, as a necessary being, but also as a concrete being, a being capable of causal activity. (Difference from Swinburne's Cosmo Argument: on his view God a contingent being, so no answer to the question "Why are there anything (contingent) at all?"[8]

John Duns ScotusEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo John Duns Scotus

SpinozaEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo Spinoza

Leibniz Edit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo Leibniz

A versão de contingência de Leibniz pode ser resumida da seguinte maneira:[9]

  1. Tudo o que existe tem uma explicação da sua existência, seja ela na necessidade de sua própria natureza ou numa causa externa.
  2. Se o universo tem uma explicação da sua existência, essa explicação é Deus.
  3. O universo existe.
  4. Logo, o universo tem uma explicação da sua existência. (de 1, 3)
  5. Logo, a explicação da existência do universo é Deus. (de 2, 4)

KalamEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico Kalam

O argumento cosmológico Kalam/de kalam foi renascido por Craig em seu livro The Kalam Cosmological Argument e tem como base as meditações de filósofos islâmicos da Idade Média, principalmente Al-Ghazali. O argumento é geralmente esquematizado da seguinte maneira:

  1. Tudo o que começa a existir tem uma causa.
  2. O universo começou a existir.
  3. Logo, o universo tem uma causa.

Como é observável no esquema, o argumento por si só não defende a existência de Deus, mas a de uma causa para a existência do universo; são as conclusões filosóficas que Craig retira de como teria que ser essa causa do universo que se compreende que ela deve ter sido Deus. --


SwinburneEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico segundo Swinburne

Richard Swinburne, proeminente filósofo inglês, criou sua própria versão do argumento tendo-a exposto no seu livro The Existence of God. Esta versão chegou a ser elogiada pelo ex-ateu proeminente Antony Flew.[fonte?]

Quentin SmithEdit

Ver artigo principal: Argumento cosmológico ateísta

Recepção e crítica Edit

Os argumentos cosmológicos se distinguem em relação a muitos por algumas de suas versões estarem entre os argumentos mais conhecidos e debatidos entre todos os argumentos para a existência, uma qualidade dividida com os argumentos teleológicos. Todavia, as reações a estes argumentos são diversas, variando desde defesas consideráveis, como a presente nas Cinco Vias de Tomás de Aquino onde três destas são argumentos cosmológicos, a completos repúdios, com não-teístas rejeitando todas as versões que conhecem.

Entre os mais proeminentes defensores de algumas das formas de argumento cosmológico na atualidade encontram-se William Lane Craig e Richard Swinburne, o primeiro sendo mundialmente conhecido pela sua extensiva defesa da versão kalam.

Por outro lado, entre aqueles que já manifestaram opinião contrária encontram-se o famoso novo-ateu Richard Dawkins, que escreveu sobre as três versões apresentadas por Tomás de Aquino em seu livro Deus, um delírio.

Objeções comuns Edit

Muitas objeções têm sido levantadas contra os argumentos cosmológicos.[10] Dentre todas elas, a mais famosa e frequentemente defendida nos meios não-teístas populares é a pergunta "Quem criou Deus?" ou, de forma mais sofisticada, "Qual é a causa de Deus?". Esta pergunta é relacionada à outra objeção comum, a de que colocando-se Deus como explicação do universo apenas levanta uma corrente de causas infinitas, de forma que nenhum problema é realmente resolvido, mas apenas aumentado.

Veja também Edit

Notas

  1. Tradução de "If there were no ultimate, self-moving source of motion, then there would be no beginning to communicated motion".
  2. Tradução para "Thus, we know how much time has transpired.".
  3. Tradução de "Before any given moment in time could arrive, an infinite number of prior times would have to be traversed if time were infinite."
  4. Tradução de "If the universe were fully at rest from eternity, it could not begin to move.".
  5. Tradução de "The universe could not cause itself to come into existence".
  6. Tradução de "To cause itself, a thing would have to be something other than itself".

Referências

  1. Can God's Existence be Demonstrated? (William Lane Craig) (em inglês). Estrelando William L. Craig e Lawrence Kuhn. Produzido e editado por Closer to Truth e publicado no YouTube por drcraigvideos em 5 de janeiro de 2011. Visualizado em 5 de janeiro de 2011.
  2. Craig, William Lane. The Cosmological Argument from Plato to Leibniz. [S.l.]: Harper & Row Publisher Inc., 1980. p. 12-13. ISBN 1-57910-787-7.
  3. Craig, William Lane. The Cosmological Argument from Plato to Leibniz. [S.l.]: Harper & Row Publisher Inc., 1980. p. 23-24. ISBN 1-57910-787-7.
  4. Craig, William L.. The Kalam Cosmological Argument (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Wipf and Stock Publishers, 1979. ISBN 1-57910-438-X.
  5. Craig, William Lane. The Cosmological Argument from Plato to Leibniz. [S.l.]: Harper & Row Publisher Inc., 1980. p. 83-84. ISBN 1-57910-787-7.
  6. Geisler, Norman, Enciclopédia de Apologética - Repostas aos críticos da fé cristã. ISBN 85-7367-560-8
  7. MenoftheInfinite[1]. (7 de maio de 2009). God Debunked - The Cosmological Argument (em inglês). Visualizado em 7 de novembro de 2010.
  8. Plantinga, Alvin. Two Dozen (or so) Theistic Arguments - Lecture notes by Alvin Plantinga (em inglês). Página visitada em 20 de abril de 2010.
  9. Leibnizian Cosmological Argument (1 of 2) (em inglês). Presente na lista de reprodução "Leibnizian Cosmological Argument" (link). Publicado no YouTube por drcraigvideos em 26 de agosto de 2010. Visualizado em 12 de novembro de 2010.
  10. Reppert, Victor (2 de janeiro de 2008). Some perennial reminders about cosmological arguments (em inglês). dangerous idea (blog). Página visitada em 31 de maio de 2010.
Contra
Outros



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