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Afirmação do consequente
Afirmação do consequente
Classificação 1 Falácia formal

Classificação 2

Falácia de lógica proposicional

Outros nomes

  • Asseverando o consequente[1]
  • Erro do inverso[2]

Falácias relacionadas

Negação do antecedente

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Afirmação do consequente é uma falácia formal[2] que consiste em confundir condição suficiente com necessária.[3] Contrária à negação do antecedente,[4] ela é por vezes classificada como falácia proposicional ou de presunção.[5]

Estrutura e análise Edit

A falácia consiste em supor que da condicional "Se P, então Q" e da afirmação da consequente dessa condicional, "Q", se pode concluir "P".[6] Na tabela a seguir, jaz a forma da falácia e duas formas similares válidas de argumentação, modus ponens e modus tollens:

Estrutura[1][7]
Forma Formas similares válidas
Modus Ponens Modus Tollens
Se p então q. Se p então q. Se p então q.
q. p. Não-q.
Logo, p. Logo, q. Logo, não-p.

Exemplo e contra-exemplo:[1]

  1. Se está chovendo então as ruas estão molhadas.
  2. As ruas estão molhadas.
  3. Logo, está chovendo.
  1. Se está nevando então as ruas vão estar cobertas de neve.
  2. As ruas estão cobertas de neve.
  3. Logo, está nevando.

Raciocínio indutivo Edit

Muito embora esta linha de argumento constitua uma falácia, muitos cientistas fazem uso dela como método de avaliação de hipóteses.[8] Isso ocorre porque a ligação "lógica" presente na falácia de afirmação do consequente é falha como argumento dedutivo, mas ajuda na avaliação de hipóteses e teorias preditivas na ciência. Neste caso, a verificação de que uma hipótese previsat por uma teoria se confirmou na realidade não torna aquela teoria verdadeira (se isso fosse alegado, então a falácia estaria sendo cometida), mas aumenta a possibilidade dela ser verdadeira já que isso significa que ela está de acordo com as evidências. Para verificar isso, segue a seguinte análise:

A teoria da evolução predisse que haveria uma similaridade entre seres humanos e macacos por serem ambos descendentes de um ancestral comum. Quando o campo de estudo da genética foi iniciado, tornou-se possível, com o tempo, fazer uma comparação dos códigos genéticos e pesquisas nessa área revelaram a similaridade prevista pela evolução. Com posse desses dados, seria falacioso argumentar que "portanto, a teoria da evolução está correta", mas seria racional argumentar que isso aumenta a probabilidade da teoria estar correta não só porque ela fez uma predição com sucesso, mas porque afinal ela esta de acordo com as evidências.

A mesma linha de argumento pode se relacionada à questão teísta no campo científico. Por exemplo, com relação às constantes e quantidades do universo estudadas no caso do princípio antrópico, pode-se considerar que a Hipótese de que Deus Existe, como é chamada pelo biólogo ateu Richard Dawkins[9], faz a predição científica de que, se ela fosse verdadeira, então esperaríamos que diante de uma eventual alta improbabilidade do surgimento da vida no universo Deus teria sido a ação fundamental na sua construção de tal maneira que pudesse ter um universo capaz de sustentar vida inteligente apesar das altas improbabilidades. Hoje em dia sabe-se que esta predição é verdadeira, pois descobriu-se que existe uma incrível improbabilidade da vida surgir no universo e, não obstante, as constantes e quantidades estão perfeitamente alinhadas para que ela exista.[10] Com base nestas duas premissas seria falacioso argumentar que "portanto, Deus existe", mas, assim como no caso da teoria da evolução, é correto e racional afirmar que isso aumenta a probabilidade de Deus existir.

Exemplos Edit

Segue uma lista de exemplos do uso desta falácia:

  1. Se jogamos bem, ganhamos.
  2. Ora, ganhamos.
  3. Logo, jogamos bem.[3]
Este argumento é claramente falacioso porque mesmo que as premissas em si sejam verdadeiras (o que não é o caso deste exemplo, tendo em vista que a primeira premissa é demonstravelmente falsa), a conclusão não segue delas, já que o time poderia ter ganho porque, por exemplo, o time adversário não só jogou pior como o árbitro ajudou numa má atuação.
  1. If one is 16 years old or older, one can drive an automobile in Wisconsin.
  2. I saw your niece driving through Wausau yesterday.
  3. She must be at least 16.[11]

Filosofia da religião Edit

Aparentemente poucas foram as vezes que esta falácia apareceu no contexto da filosofia da religião. Um desses casos jaz no livro de Hillyer Straton, Baptists: Their Message and Mission (1941), pg. 49:[1]

Nunca um livro foi submetido a uma busca tão implacável por erros como a Bíblia Sagrada. Ambos os críticos reverentes e agnósticos tem perturbado e arado suas passagens; mas através de tudo isso a palavra de Deus tem permanecido suprema... . Isso é prova... de que aqui nós temos uma revelação de Deus; pois... se Deus se revela ao ser humano..., Ele irá preservar uma gravação daquela revelação para que o homem que segue possa saber seu caminho e vontade.

Neste trecho, a falácia se encontra de forma escondida e, após análise,[1] um resumo estruturado do argumento apresentado seria como segue:

  1. Se Deus se revela na Bíblia, ele irá preservar uma gravação daquela revelação.
  2. Deus tem preservado uma gravação da sua revelação.
  3. Logo, Deus tem se revelado na Bíblia.

Outros exemplos de argumentos que poderiam ser elaborados neste contexto com esta falácia incluem:

  1. Se o diabo existe, o mal existe.
  2. Se o diabo existe, Deus existe.
  3. O mal existe.
  4. Logo, o diabo existe (de (1) em (3))
  5. Logo, Deus existe (de (2) em (4))

ou

  1. Se o diabo existe, o mal existe.
  2. O mal existe.
  3. Logo, o diabo existe.
  4. Mas se o diabo existe, Deus existe.
  5. Logo, Deus existe.
  1. Se Deus existe, o universo existe.
  2. O universo existe.
  3. Logo, Deus existe.
  1. Se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural, haveria ordem e organização em todo lugar.
  2. Nós vemos ordem, e não esporadicidade.
  3. Então é óbvio que o universo teve um criador.[4]
Se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural, haveria ordem e organização em todo lugar. E nós vemos ordem, e não esporadicidade; então é óbvio que o universo teve um criador.[4]

Referências

  1. 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 Affirming the the consequent (em inglês). Fallacy Files. Página visitada em 8 de junho de 2010.
  2. 2.0 2.1 Retirado de Affirming the consequent na Wikipédia anglófona. Página acessada em 28 de janeiro de 2015 (link).
  3. 3.0 3.1 Retirado de Afirmação do consequente na Wikipédia lusófona. Página acessada em 7 de junho de 2010 (link).
  4. 4.0 4.1 4.2 Matthew. Lógica & Falácias (em português). Ceticismo, Ciência e Tecnologia (blog). Página visitada em 7 de junho de 2010.
  5. Affirming the Consequent (em inglês). Página visitada em 15 de julho de 2010.
  6. Página "F" com "Falácia" (em português). Dicionário Escolar de Filosofia. Página visitada em 4 de maio de 2010.
  7. Céticos: Guia de Falácias Lógicas de Stephen. Página visitada em 7 de junho de 2010. & Downes, Stephen. Guia de Falácias Lógicas do Stephen (em português). Ateus.net. Página visitada em 7 de junho de 2010.
  8. Chibeni, Silvio Seno. Afirmando o conseqüente: uma defesa do realismo científico (?!) (em português). Página visitada em 7 de junho de 2010.
  9. Dawkins, Richard. Deus, um Delírio (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Companhia das Letras, 2006. ISBN.
  10. Veja o artigo sobre o princípio antrópico e o argumento da sintonia fina.
  11. LEO: Logic (em inglês).


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